A Justiça converteu em preventiva a prisão em flagrante da biomédica de 48 anos acusada de avançar com o carro contra um portão e prensar três crianças no Parque Industrial, região Oeste de Goiânia. O crime passional ocorreu após a suspeita perseguir o ex-marido até a residência onde ele assistia a um jogo de futebol. A decisão que determinou a manutenção da prisão foi proferida em audiência de custódia realizada nesta terça-feira (30/6).
Segundo o termo da audiência, o ex-companheiro se recusou a sair do imóvel para atendê-la. Na sequência, a atual parceira dele pediu para a biomédica ir embora, o que desencadeou o ataque de fúria. A motorista jogou o veículo contra a entrada da casa no instante em que uma criança de 10 anos e dois adolescentes, de 12 e 14 anos, brincavam na calçada.
Ao decidir pela manutenção da prisão, o juiz Eduardo Pio Mascarenhas da Silva considerou a gravidade concreta da conduta e tratou o caso como tentativa de homicídio.
“Diante da gravidade concreta dos fatos, vislumbro clarividente que, no presente, nenhuma das medidas cautelares diversas da prisão seria suficiente e adequada para resguardar a ordem pública”, afirmou o magistrado.
As três vítimas atingidas pelo veículo receberam socorro imediato de equipes médicas. Elas foram encaminhadas inicialmente ao Cais Vila Nova e, posteriormente, transferidas para o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol). Apesar das escoriações provocadas pelo impacto contra a estrutura de ferro, o estado de saúde de todas as crianças é considerado estável.
Defesa alega surto psiquiátrico e linchamento após o impacto
Logo após a colisão que feriu os pedestres, moradores e testemunhas reagiram com revolta. O veículo da biomédica teve os vidros quebrados e ela passou a ser agredida com socos e chutes na rua. A Polícia Militar precisou intervir para cessar o espancamento assim que chegou ao endereço. No local, a mulher passou pelo teste do bafômetro, que deu resultado negativo para o consumo de álcool.
O advogado André Tracz de Paula Louro, responsável pela defesa da biomédica, rechaçou a acusação de atropelamento proposital. De acordo com o defensor, a cliente possui um histórico de transtornos mentais, faz uso contínuo de remédios controlados e estava sob forte efeito das substâncias no momento do episódio. Ele alegou que as fraturas sofridas por ela no rosto foram decorrentes de uma agressão desleal da vizinhança.
“Ela quebrou o seio maxilar, o nariz e está com o olho roxo. Ela foi realmente linchada, né? Ela foi agredida ali de forma desleal, de forma até abusiva. Ela não teve muita chance de reação, não teve auxílio de ninguém”, relatou o advogado.
A defesa informou que vai recorrer da decisão para tentar obter a liberdade da biomédica, sustentando que a manobra com o automóvel foi apenas uma tentativa desesperada de fugir do linchamento iniciado após as discussões com os moradores.

