Uma ofensiva da Polícia Civil de Goiás contra o braço financeiro do crime organizado desmantelou um esquema de lavagem de dinheiro sustentado por empresas fantasmas. A Operação Demolição, deflagrada nesta terça-feira (29/9) pela Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc), cumpriu sete mandados de prisão e quatro de busca e apreensão em Goiânia e Hidrolândia, na Região Metropolitana da capital.
O foco da ação foram os integrantes do núcleo de depósito e distribuição de entorpecentes, além dos operadores intermediários responsáveis pela ocultação dos bens. Durante a operação, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 11 milhões em contas bancárias e ativos de pessoas físicas e jurídicas investigadas.
As apurações começaram em 2025, quando a polícia desarticulou três laboratórios e depósitos do grupo — local onde três suspeitos da mesma família acabaram presos. A partir dessa apreensão inicial, a Denarc rastreou o caminho do dinheiro e identificou que os lucros obtidos com o tráfico eram injetados em contas de fachada para dissimular sua origem ilícita.
No centro da engrenagem financeira estavam duas supostas construtoras. Ao checar os endereços declarados, os agentes constataram que as empresas simplesmente não existiam fisicamente. Apesar de serem empreendimentos no papel, os CNPJs de fachada conseguiram movimentar mais de R$ 10 milhões em apenas seis meses.
Ofensivas sufocam finanças do crime
A Operação Demolição reflete uma mudança sistemática na atuação da Polícia Civil do Estado de Goiás, que redirecionou suas ações para o estrangulamento financeiro do crime organizado. Por meio de unidades especializadas como a Denarc e a Deic, a corporação migrou o foco das tradicionais apreensões de substâncias para o rastreamento patrimonial de grandes facções.
Essa estratégia tem acumulado resultados expressivos no estado, a exemplo das fases recentes da Operação Destroyer, que bloquearam mais de R$ 235 milhões em bens retirados de organizações criminosas. Em um dos desdobramentos contra a lavagem de capitais, a corporação congelou outros R$ 160 milhões de uma rede que movimentou mais de R$ 320 milhões usando empresas de fachada e fintechs.
Outra ofensiva marcante desarticulou um braço financeiro do Comando Vermelho que utilizava contas bancárias de adolescentes para pulverizar lucros, resultando no bloqueio de R$ 28,1 milhões. Paralelamente, investigações focadas na logística interestadual de entorpecentes culminaram no sequestro de imóveis de luxo e na apreensão de cinco aeronaves usadas no tráfico internacional de cocaína. Em combate a fraudes corporativas, a corporação também desmantelou um esquema de R$ 437,8 milhões em cartões de benefícios de servidores municipais na Operação Fake Card, resultando no bloqueio judicial imediato de investimentos, veículos de alto padrão e imóveis dos líderes do grupo.

