O ex-secretário de Cultura de Goiânia, Zander Fábio (Podemos), foi solto neste domingo (31/5) após expirar o prazo de sua prisão temporária. O suplente de vereador permaneceu detido por cinco dias na Delegacia Estadual de Capturas (Decap), sob a suspeita de liderar um esquema de desvios milionários na pasta municipal.
No sábado (30), a Justiça também liberou os empresários Jean Jesus Magno Lima e Silva e Welton da Silva Nogueira. Ambos são proprietários de entidades contratadas pela secretaria e investigados no âmbito da Operação Cultura (Em)Cena.
A Polícia Civil aponta Zander como a figura central de uma fraude que teria desviado R$ 1,5 milhão por meio de 41 operações na Cultura. Os repasses ocorreram durante a gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (Solidariedade).
O ex-secretário havia sido preso na última terça-feira (26/5) enquanto assistia a uma missa na Igreja Matriz de Campinas. Na ocasião, ele exercia o mandato na Câmara Municipal de Goiânia como suplente. Com a sua detenção, a titular da cadeira, vereadora Léia Klebia, reassumiu a vaga no Legislativo.
A Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor) apura a existência de uma associação criminosa voltada a fraudar contratações diretas e sem licitação ao longo de 2024. O foco das fraudes seriam eventos de antigomobilismo, como feiras e exposições de carros antigos.
Segundo os investigadores, as empresas de fachada não possuíam estrutura compatível para realizar os serviços. A suspeita é de que os CNPJs fossem usados apenas para receber os valores públicos e repassá-los aos envolvidos.
O inquérito detalha que algumas dessas empresas foram abertas pouco antes de receberem as verbas. Elas operavam com baixo capital social, sem sede própria e sem experiência técnica. Um dos CNPJs vinculados a Welton Nogueira movimentou mais de R$ 820 mil apenas em 2024.
Outra empresa, registrada em nome da filha de Welton, recebeu quase R$ 472 mil entre 2023 e 2024. Já o Instituto Vida Gestão Ambiental, presidido pela esposa de Jean Jesus, movimentou mais de R$ 424 mil, de acordo com a Polícia Civil.
Defesa nega fraudes e polícia analisa materiais
A defesa de Zander Fábio informou que o político colaborou ativamente com as investigações e prestou todos os esclarecimentos necessários às autoridades. O advogado Marcelo Di Rezende afirmou categoricamente que seu cliente nega qualquer tipo de irregularidade no período em que comandou a pasta.
Com a liberação dos suspeitos, a Polícia Civil agora se concentra na análise do material tecnológico e documental apreendido durante as buscas para dar continuidade ao fechamento do inquérito.

