Um caso chocante mobilizou as forças de segurança na tarde desta segunda-feira (15/6), em Aparecida de Goiânia. O corpo de um feto foi encontrado por trabalhadores de uma empresa especializada que realizavam um serviço de desentupimento e manutenção programada na rede de esgoto e na caixa de gordura do Condomínio Agenor Modesto. O residencial fica localizado no Residencial Parque Itatiaia, nas proximidades do Hospital Estadual de Aparecida de Goiânia Cairo Louzada (Heapa).
Assim que localizaram os restos mortais em meio aos dejetos, os funcionários interromperam os trabalhos imediatamente e comunicaram a administração do residencial sobre a gravidade da situação. Diante da descoberta impactante, a síndica do condomínio acionou a Polícia Militar via Copom. Equipes do 8º Batalhão da PM foram deslocadas rapidamente e chegaram ao endereço por volta das 15h40 para fazer o isolamento da área.
A presença das viaturas alterou a rotina dos moradores e o local foi preservado para que a Polícia Científica e o Instituto Médico Legal (IML) fizessem as primeiras análises de campo. Paralelamente, investigadores civis começaram a buscar indícios que pudessem apontar para a autoria do fato. Após os levantamentos preliminares na caixa de gordura, o corpo foi removido e encaminhado para a sede do IML.
Nesta terça-feira (16/6), a Polícia Científica informou que os exames de necropsia já começaram a ser realizados pelos médicos legistas. Os primeiros laudos técnicos apontaram que o feto tinha aproximadamente 30 semanas de gestação, o que equivale a cerca de sete meses de gravidez, e já se encontrava em avançado estado de decomposição. No entanto, os exames complementares em andamento ainda tentam determinar com exatidão há quantos dias ou semanas os restos mortais permaneciam na tubulação.
A Polícia Civil registrou o caso inicialmente como encontro de cadáver e direcionou equipes da Central Geral de Flagrantes ao condomínio para coletar informações, analisar possíveis imagens de câmeras de monitoramento e colher depoimentos. Os investigadores confirmaram que algumas pessoas, incluindo funcionários e moradores, já começaram a ser ouvidas. A apuração tenta mapear gestantes no local para descobrir quem foi o responsável pelo abandono.
A conclusão dos laudos médicos do IML e da perícia de local será fundamental para os próximos passos do inquérito. Os resultados devem esclarecer se houve um aborto espontâneo ou provocado, ou se o caso se trata do descarte criminoso de um bebê recém-nascido que chegou a respirar ao nascer. Essa diferenciação técnica definirá os rumos da linha de investigação e a correta tipificação do crime no Código Penal.

