A conquista do UITP Awards 2026, considerado o principal prêmio mundial do transporte público, colocou Goiás em evidência no cenário internacional da mobilidade urbana. O reconhecimento obtido pelo projeto Nova RMTC, responsável pela reestruturação do transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia, consolida um modelo baseado em inovação, integração e sustentabilidade.
Promovido pela União Internacional de Transportes Públicos (UITP), o prêmio foi entregue nesta semana, em Bruxelas, na Bélgica, após avaliação de centenas de projetos desenvolvidos em diferentes países.
O modelo goiano foi reconhecido por iniciativas como o congelamento da tarifa em R$ 4,30 desde 2019, a eletrificação da frota com os maiores ônibus biarticulados elétricos do mundo, a implantação de sistemas inteligentes de gestão operacional e a metronização do corredor BRT Leste-Oeste, que reduziu em até 31% o tempo de deslocamento dos passageiros.
Para o governador Daniel Vilela, a premiação representa o reconhecimento de uma política pública construída ao longo dos últimos anos e reforça o compromisso do Estado com a melhoria contínua da mobilidade.
“O prêmio não representa um ponto de chegada; ele reforça nosso compromisso de continuar avançando e demonstra que Goiás escolheu o caminho certo ao tratar a mobilidade urbana como política pública estratégica”, afirmou.
Entorno do Distrito Federal
Além de validar internacionalmente o modelo implantado na Região Metropolitana de Goiânia, a conquista reacendeu discussões sobre a necessidade de ampliar esse padrão de qualidade para outras regiões goianas.
No Entorno do Distrito Federal, onde milhares de moradores dependem diariamente do deslocamento para Brasília, especialistas e lideranças políticas defendem investimentos capazes de modernizar o sistema de transporte coletivo, reduzindo o tempo de viagem e oferecendo maior conforto e eficiência aos usuários.
Entre as propostas está a adoção de tecnologias já utilizadas na RMTC, como monitoramento inteligente da operação, sincronização semafórica, utilização de veículos menos poluentes e fortalecimento da governança regional por meio da integração entre Estado, municípios e concessionárias.
O vereador de Águas Lindas de Goiás, Abadyas Damasceno, avalia que o reconhecimento internacional demonstra a capacidade técnica de Goiás para desenvolver soluções de mobilidade em larga escala, mas considera que o Entorno ainda necessita de investimentos estruturantes para enfrentar o crescimento populacional e a dependência econômica da capital federal.
Águas Lindas e o distrito de Girassol concentram mais de 90 mil deslocamentos diários
Segundo o parlamentar, a principal alternativa passa pela implantação de um sistema de transporte de alta capacidade, com a ampliação da malha ferroviária e a extensão do metrô do Distrito Federal para cidades como Águas Lindas, Valparaíso de Goiás, Cidade Ocidental e Luziânia.
“Precisamos pensar em um transporte de grande capacidade para o futuro, ou causaremos um colapso total no trânsito em direção ao Distrito Federal”, alerta Damasceno.
O vereador lembra que somente Águas Lindas e o distrito de Girassol concentram mais de 90 mil deslocamentos diários em direção a Brasília, realidade que pressiona a BR-070 e tende a se intensificar diante da projeção de crescimento populacional da região para a próxima década.
Como referência, Damasceno cita modelos europeus de integração ferroviária, nos quais cidades e regiões são conectadas por sistemas de transporte de alta capacidade. Para ele, embora Goiás e o Distrito Federal pertençam a diferentes unidades federativas, o planejamento da mobilidade deve acompanhar o ritmo de expansão urbana do Entorno.
Extensão do modelo de transporte da Região Metropolitana de Goiânia
Com o reconhecimento internacional conquistado em Bruxelas, Goiás passa a integrar o grupo de referências mundiais em transporte público.
A expectativa do Governo de Goiás é utilizar o prestígio obtido com o UITP Awards 2026 para fortalecer novas parcerias, ampliar a captação de recursos e estimular projetos que permitam levar a experiência bem-sucedida da Região Metropolitana de Goiânia a outras regiões estratégicas do Estado, contribuindo para reduzir desigualdades e ampliar a integração da mobilidade regional.

