Um adolescente autista e esquizofrênico de 13 anos viveu momentos de terror ao ser mantido acorrentado e trancado em uma sala comercial em Anápolis. O suspeito do crime, seu padrasto de 54 anos, foi preso nesta terça-feira (21/7) no Terminal Rodoviário do município enquanto tentava fugir da cidade para escapar da Justiça.
O drama da vítima veio à tona após uma denúncia anônima ser enviada à prefeitura. No local, equipes da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), do Conselho Tutelar e do Programa Linha de Frente encontraram o imóvel com portas metálicas trancadas por fora, sem janelas ou saídas de emergência.
Ao ouvirem gritos e choros vindos do interior do cativeiro, os policiais usaram uma chave reserva fornecida pelo dono do prédio para socorrer o menor. Aterrorizado e com marcas de agressão espalhadas pelo corpo, o adolescente indicou aos agentes as correntes e ganchos escondidos atrás de um sofá, usados para prendê-lo.
Exames médicos preliminares confirmaram diversas lesões no peito, nas pernas e nos braços da vítima. Após o resgate, ela passou por atendimento hospitalar emergencial e acabou encaminhada para uma instituição de acolhimento, onde recebe suporte especializado para a recuperação física e psicológica.
Na data da operação policial, o padrasto e a mãe do adolescente haviam fugido do local. Contudo, ao constatar o risco de fuga definitiva, a Justiça decretou a prisão preventiva do acusado, que acabou interceptado pelas equipes da DPCA no momento em que tentava embarcar na rodoviária.
A mãe da vítima também prestou depoimento à Polícia Civil. Os investigadores trabalham para esclarecer se ela teve participação nas omissões ou se também era vítima de violência doméstica e vivia sob coação, impedida pelo companheiro de socorrer o próprio filho.
O homem foi conduzido ao presídio local e permanece à disposição do Poder Judiciário. Ele responde por maus-tratos, lesão corporal, cárcere privado e abandono de incapaz. Somadas, as penas para esses crimes podem chegar a 13 anos de reclusão.
Como o nome do suspeito não foi divulgado pelas autoridades locais, o PORTAL NG não conseguiu localizar a defesa do investigado até a publicação desta matéria.

