O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União), adotou um tom de otimismo nesta quarta-feira (8/7) ao projetar os próximos dois anos e meio de seu mandato. Durante a transferência simbólica da sede do Executivo para o bairro de Campinas, o gestor avaliou que o período de austeridade administrativa ficou para trás e que a cidade entra agora em uma fase de entregas intensas e recuperação urbana.
Na análise do próprio prefeito, as medidas impopulares adotadas no início do mandato foram um remédio amargo, mas essencial para reestruturar as contas da capital. Com a casa organizada, a promessa agora é focar em áreas sociais estratégicas e em grandes obras de infraestrutura, o que, segundo ele, já começa a se refletir nos índices de aprovação de sua gestão.
“A gente aprendeu que quando a gente chega num local muito bagunçado, ou você entra pra valer ou você não consegue arrumar. Então, nós entramos um ano e meio muito duro, até mais duro do que deveria ter sido. Isso deixa as pessoas meio contrariadas, muitas vezes, mas era a forma de arrumar a cidade. Mas os resultados começam a aparecer”, pontuou Mabel.
Como demonstração prática dessa nova etapa de investimentos, o prefeito anunciou para a região de Campinas a construção de uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA), com orçamento estimado em R$ 26,5 milhões, além de aportes em zeladoria e mobilidade.
“Eu vim com uma missão pra Goiânia e essa missão tem de ser cumprida com satisfação das pessoas, com o cuidado com as pessoas. Primeiro uma organização dura e depois vamos fazer a cidade crescer, melhorar muito a saúde, a educação, o trânsito. Esses próximos dois anos e meio de gestão serão intensos de obras e de muitas conquistas”, completou.
Apesar do discurso focado em conquistas futuras, a análise política do cenário goianiense aponta que Mabel terá de descascar um dos maiores abacaxis fiscais da história do município: a crise do Instituto Municipal de Assistência à Saúde dos Servidores de Goiânia (Imas). A autarquia enfrenta um colapso financeiro profundo, precarização no atendimento ao funcionalismo e forte defasagem tecnológica.
O impasse é tão complexo que ultrapassa a barreira de um problema administrativo comum. Em declarações recentes, o próprio prefeito admitiu publicamente o risco real de extinção do instituto caso um plano de socorro definitivo não seja estruturado. Equilibrar a urgência de salvar o plano de saúde dos servidores com a promessa de expandir os investimentos na cidade será o teste definitivo para a habilidade política e gerencial de Mabel nesta segunda metade do mandato.

