Morreu na manhã desta terça-feira (25/8) o motociclista Fábio Alves Barbosa, de 50 anos, segunda vítima do atropelamento causado por um rapaz de 17 anos em Goiânia. Fábio estava internado na UTI do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol) desde o dia 16 de agosto e em protocolo de morte encefálica. Sua esposa, a cuidadora Neifa Freitas de Farias, também de 50 anos, morreu na quinta-feira (20/8).
O acidente ocorreu na manhã do dia 16/8, quando Fábio levava a esposa de moto ao trabalho. No cruzamento das avenidas Independência e Perimetral, no Setor Campinas, o casal foi atingido por uma caminhonete Fiat Toro conduzida pelo menor, que avançou o sinal vermelho. Imagens de câmeras de segurança registraram a colisão.
O teste de bafômetro no jovem apontou 0,52 mg de álcool por litro de ar expelido. Inicialmente autuado por ato infracional análogo a lesão corporal e liberado, o adolescente teve a apuração reclassificada para homicídio no trânsito após a morte de Neifa.
A Polícia Civil concluiu o procedimento referente ao adolescente na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai) e o apreendeu em sua residência nesta segunda-feira (24/8), encaminhando o caso ao Ministério Público e ao Judiciário.
A tragédia gerou comoção e revolta entre os familiares das vítimas, que cobram punição rigorosa a todos os responsáveis. A mãe de Fábio expressou a dor da família diante da perda precoce do casal.
“Meu filho é trabalhador. Só vive no trabalho. Não tem nem momento de lazer. É só trabalhar. Está doendo demais. Muito mesmo”, lamentou Vilma Alves Barbosa.
Em depoimento, o adolescente admitiu ter consumido bebida alcoólica e pegado a chave do veículo escondido dos pais. A defesa alegou que o jovem faz tratamento para ansiedade e TDAH e teria sofrido um surto. Por ser menor de idade, a legislação prevê tempo máximo de internação de três anos.
Apesar da conclusão da apuração contra o menor infrator, os desdobramentos do caso avançam para averiguar a conduta de adultos envolvidos e possíveis facilitações que permitiram a tragédia.
Caso é enviado à PM e para apurar condutas de policiais no acidente
A apuração do atropelamento poderá ter novos desdobramentos com o envio de cópias do processo à Corregedoria da Polícia Militar e à Delegacia de Investigação de Crimes de Trânsito (Dict). O objetivo é esclarecer por que a caminhonete e a motocicleta foram liberadas do cruzamento sem apreensão e sem perícia inicial e também possíveis responsabilidades de maiores de idade vinculados à conduta do menor.

O veículo que era conduzido pelo adolescente pertence a um sargento aposentado da PM. Segundo o delegado Rômulo Matos, da Depai, o proprietário retirou o automóvel do local e o levou a uma oficina, solicitando reparos urgentes antes da realização da perícia técnica. Ao localizar o veículo, a polícia determinou a paralisação imediata dos serviços.
“O proprietário do carro levou para a oficina e pediu urgência no serviço. Quando ele informou onde estava, determinamos imediatamente que o trabalho fosse interrompido e orientamos a oficina a preservar o veículo para a perícia”, explicou o delegado.
A remessa para a Corregedoria da PM atende a pedido da defesa das vítimas para verificar por que os policiais militares liberaram os veículos da cena do crime sem a devida apresentação na Central de Flagrantes.
A Dict também investigará a responsabilidade criminal dos adultos envolvidos, verificando como o adolescente teve acesso ao veículo e se houve omissão de cautela por parte dos responsáveis.

