Hoje é 16 de setembro de 2026 03:03

Operação contra golpe do boleto falso cumpre 18 mandados em Goiás

Polícia Civil do Amapá investiga organização criminosa que faturou mais de R$ 1 milhão criando sites falsos para o pagamento de contas de luz
Objetos e dinheiro apreendidos na Operação Boleto Fantasma II: esquema criminoso movimentou mais de R$ 1 milhão com falsos sites de energia // Fotos: Reprodução

O Estado de Goiás concentrou a maior parte dos alvos da segunda fase da Operação Boleto Fantasma II, deflagrada nesta quinta-feira (2/7). Dos 22 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça, 18 foram cumpridos em municípios goianos. A ofensiva policial também realizou o cumprimento de nove mandados de prisão preventiva, distribuídos entre o território goiano e o Estado de Santa Catarina.

A ação interestadual é coordenada pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DR-Cciber) da Polícia Civil do Amapá. A operação contou com o apoio estratégico das Polícias Civis de Goiás e de Santa Catarina, além do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. O foco principal desta nova etapa é sufocar financeiramente a organização, interrompendo o fluxo de recursos ilícitos para viabilizar o futuro ressarcimento das vítimas.

Segundo as investigações, os criminosos agiam de forma altamente especializada ao criar e manter páginas falsas na internet que reproduziam com perfeição os canais oficiais da concessionária de energia do Amapá. Para atrair os consumidores, a quadrilha investia em anúncios patrocinados nos principais mecanismos de busca da web. Dessa forma, quando os clientes procuravam termos como “segunda via da conta de luz”, os sites fraudulentos apareciam estrategicamente entre os primeiros resultados da pesquisa.

Ao acessar as plataformas falsas, os usuários eram induzidos a informar dados pessoais e a efetuar os pagamentos acreditando que estavam quitando suas faturas pendentes. O grupo disponibilizava modalidades de pagamento via Pix, boleto bancário tradicional ou QR Code. No entanto, em vez de irem para a empresa de energia, os valores eram imediatamente desviados para contas correntes controladas pela própria organização criminosa.

A DR-Cciber detalhou que o grupo possuía uma estrutura interna bem definida e dividida em setores independentes. Havia o núcleo tecnológico, encarregado do desenvolvimento, hospedagem e manutenção das páginas falsas na internet. Por outro lado, o núcleo financeiro ficava responsável por receber os montantes e providenciar a lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada, carteiras digitais e transações com criptoativos para ocultar a origem do capital e burlar o rastreamento policial.

Até o momento, o trabalho investigativo já conseguiu identificar centenas de pessoas lesadas pelo esquema em todo o país, acumulando um prejuízo estimado que ultrapassa a marca de R$ 1 milhão. A polícia relembrou que a primeira fase da Operação Boleto Fantasma já havia resultado na captura de uma das principais lideranças da quadrilha, e que os trabalhos continuam para identificar novos envolvidos.

Com o avanço das apurações, a Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de bens, ativos financeiros e contas bancárias de 16 alvos específicos, englobando 13 pessoas físicas e três pessoas jurídicas utilizadas no esquema.

Os envolvidos na fraude responderão formalmente pelos crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Se forem condenados, as penas máximas somadas para esses delitos podem ultrapassar os 20 anos de reclusão.

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