Hoje é 16 de setembro de 2026 04:36

PCGO mira golpistas de esquema que levou idosa à morte em Goiânia

Operação Golpe Fatal cumpriu mandados em SP e RJ contra criminosos que aplicaram golpe de R$ 500 mil contra idosa. Veja os detalhes
Investigação mira uma associação criminosa especializada nos golpes da Falsa Central Bancária e da Mão Fantasma, com prisões em cidades do Rio de Janeiro e São Paulo // Fotos: Reprodução

A Polícia Civil de Goiás deflagrou nesta quarta-feira (17/6) a Operação Golpe Fatal. A ação visa cumprir 16 mandados de prisão temporária, 16 de busca e apreensão, além de determinar o sequestro de bens avaliados em cerca de R$ 500 mil. A investigação mira uma associação criminosa especializada nos golpes da Falsa Central Bancária e da Mão Fantasma.

A ofensiva foi conduzida pela Delegacia Estadual de Investigações Criminais, por meio do Grupo de Repressão a Estelionato e Outras Fraudes (Deic/Gref). O trabalho contou com o apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, e das polícias civis de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Segundo o delegado Maytan Santana, os criminosos iniciavam a abordagem por uma falsa central telefônica, simulando atendimento de funcionários bancários para convencer a vítima a seguir orientações fraudulentas.

“Ao perceberem que a vítima possuía outros investimentos de valor semelhante, os criminosos tentaram aplicar o ‘golpe da mão fantasma’. Eles enviaram um link malicioso que permitiu o acesso remoto ao celular dela, com o objetivo de resgatar e subtrair o restante das aplicações”, explicou o delegado.

As medidas judiciais foram cumpridas em São Paulo/SP, Guarujá/SP, Rio de Janeiro/RJ, Duque de Caxias/RJ, São Pedro da Aldeia/RJ e Rio das Ostras/RJ. Além de prender os suspeitos, a operação busca identificar outras vítimas, apreender dispositivos usados nas fraudes e descapitalizar o grupo.

A Polícia Civil informou que os investigados também responderão por lavagem de dinheiro, já que utilizavam contas de terceiros (“laranjas”) para movimentar os valores obtidos ilegalmente. As investigações continuam para localizar todos os envolvidos e responsabilizar quem cedeu as contas bancárias para o esquema.

Tortura psicológica e manipulação: o drama que vitimou a idosa

De acordo com o inquérito, uma idosa foi abordada por criminosos que se passavam pelo setor de segurança de uma instituição bancária federal. Em seguida, um dos comparsas assumiu a falsa identidade de um delegado da Receita Federal, utilizando imagens de servidores públicos para dar credibilidade à farsa.

Sob intensa pressão psicológica, a idosa foi convencida de que estava sob investigação federal e que deveria seguir todas as ordens sem questionar.

Durante cerca de 12 dias, ela realizou diversas transferências bancárias, acreditando que estava protegendo suas economias em contas seguras indicadas pelos golpistas. Quando o sistema de segurança do banco bloqueou novas transações, os criminosos a convenceram a instalar um aplicativo de acesso remoto no celular, ampliando o desvio.

Os valores transferidos foram rapidamente pulverizados em várias operações financeiras para ocultar a origem ilícita do dinheiro.

Ao perceber o tamanho do prejuízo e a gravidade da manipulação, a idosa tirou a própria vida em Goiânia. Mesmo após a morte da vítima, os golpistas continuaram enviando mensagens ao celular dela na tentativa de extorquir mais dinheiro.

Em alerta à população, a Polícia Civil reforçou que bancos, órgãos federais e forças policiais jamais solicitam transferências, senhas, códigos de segurança ou instalação de programas de acesso remoto via aplicativos de mensagem. A orientação é interromper o contato imediatamente e acionar as autoridades.

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