A Polícia Civil de Goiás realiza nesta quinta-feira (21/5) uma grande operação contra um esquema de corrupção na Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg). Servidores dos setores jurídico e de protocolo são suspeitos de fraudar processos administrativos para liberar indenizações em troca de vantagens financeiras.
A investigação começou em 2025, após a diretoria da companhia realizar uma auditoria interna por determinação do prefeito Sandro Mabel (União). O pente-fino identificou irregularidades praticadas em gestões anteriores, o que resultou na demissão de comissionados e na denúncia do caso à polícia.
Nesta etapa, a Delegacia de Repressão a Crimes Contra a Administração Pública (Dercap) cumpre 19 mandados de busca, três prisões temporárias e 16 afastamentos de funções. As ordens judiciais ocorrem em Goiânia, Aparecida e Trindade, incluindo o bloqueio de R$ 3,5 milhões dos investigados.
De acordo com os investigadores, as fraudes ocorreram de forma contínua entre os anos de 2022 e 2024. O esquema iniciava quando funcionários da estatal solicitavam revisões salariais sob a justificativa de desvio de função.
Processos acelerados e propina de 60%
A polícia descobriu que os processos tramitavam em prazos curtos, sem autorizações e sem os documentos necessários para comprovar o direito ao dinheiro. Servidores do protocolo e do departamento jurídico garantiam a liberação rápida dos pagamentos em troca de 60% do valor bruto recebido pelo trabalhador.
A força-tarefa conta com 105 policiais civis e representantes da OAB-GO. O objetivo é recolher celulares e documentos para aprofundar a apuração sobre 35 acordos extrajudiciais que geraram o rombo milionário.
Os envolvidos, que não tiveram nomes divulgados, devem responder por peculato, falsidade ideológica, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

