A Polícia Civil de Goiás (PCGO) prendeu na quinta-feira da semana passada (11/6) Sebastião Rodrigues da Silva Júnior, investigado por lesão corporal grave e exercício ilegal da medicina. A prisão ocorreu no Aeroporto de Guarulhos (SP), com o apoio da Polícia Federal, no momento em que ele embarcaria para Foz do Iguaçu (PR).
Segundo as investigações da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon) da PCGO, o suspeito se apresentava como médico formado no exterior, divulgava procedimentos estéticos invasivos e comercializava cursos na área sem qualquer autorização dos órgãos competentes.
As apurações apontam que o investigado não possui formação em medicina. Na verdade, ele era enfermeiro e teve o registro profissional cassado definitivamente pelo Cofen/Coren em fevereiro de 2025. Essa informação, contudo, era omitida de suas redes sociais e materiais de divulgação.
A apuração policial começou após um curso ministrado por ele em Goiânia, em julho de 2024. Durante a capacitação, voltada a profissionais da saúde e da estética, os alunos pagavam para aprender técnicas invasivas enquanto pacientes eram selecionadas para servir de modelo em procedimentos de harmonização.
Uma moradora da capital que participou do curso como paciente-modelo relatou ter sofrido graves complicações após uma harmonização de glúteos. Ela desenvolveu um intenso quadro infeccioso e inflamatório, precisou ser hospitalizada às pressas e passou por diversos procedimentos cirúrgicos de drenagem.

A partir desse caso, a Decon aprofundou as investigações e descobriu que o suspeito utilizava suas redes sociais, onde acumulava mais de 200 mil seguidores, para se apresentar falsamente como médico, biomédico e especialista em técnicas de harmonização de seios e glúteos.
De acordo com a delegada Débora Melo, o homem induzia os consumidores ao erro ao oferecer cursos e “residências” que aparentavam ser formações médicas reconhecidas.
“Inicialmente, ele vai responder por uma lesão corporal grave em razão dessa vítima que ele injuriou aqui em Goiânia e também por crimes contra as relações de consumo. Ele usa sua rede social, com mais de 200 mil seguidores, dizendo-se médico com formação no exterior quando, na verdade, ele não tem habilitação nem autorização para realizar procedimentos estéticos invasivos”, afirmou a delegada.
Polícia busca novas vítimas e amplia investigação
Além da clínica mantida em Foz do Iguaçu (PR), o investigado promovia cursos itinerantes em diversas capitais do país. Segundo a polícia, uma nova turma estava programada para Goiânia nos dias 27 e 28 de junho, com cobrança de cerca de R$ 13 mil por aluno.
A PCGO informou que, mesmo após a prisão do acusado, o perfil dele continuou fazendo publicações automatizadas nas redes sociais, divulgando cursos e procedimentos como se ele estivesse em liberdade.
Em seu perfil no Instagram, Sebastião se apresenta como “Dr. Junior Rodrigues”, “médico formação no exterior”, “biomédico estética BR” e “Pioneiro em H. Glútea e Seios”. Em uma publicação recente, ele chegou a comentar os riscos do uso de PMMA e defendeu ironicamente a responsabilidade dos profissionais que realizam procedimentos estéticos.
A divulgação da imagem e da identidade do investigado foi autorizada pela autoridade policial para possibilitar que novas vítimas e testemunhas procurem a delegacia para prestar depoimento. A defesa dele não foi localizada para comentar o caso.

