Hoje é 16 de setembro de 2026 00:23

Sem Michelle e com Milei, Flávio Bolsonaro lança candidatura a presidente

Em convenção marcada por ausências físicas da família e ataque a Moraes, senador promete que Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto em 2027
Senador Flávio Bolsonaro discursou usando colete à prova de balas e centrou sua mensagem na promessa de resgatar o “legado” político da família // Foto: Reprodução

O Partido Liberal (PL) oficializou, na manhã deste sábado (25/7), a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República durante convenção nacional no Centro de Convenções do Pacaembu, em São Paulo. O evento reuniu correligionários e militantes em um ato estruturado para consolidar a imagem do parlamentar como o herdeiro político direto e o único sucessor legítimo do ex-presidente Jair Bolsonaro na disputa pelo Palácio do Planalto.

A convenção foi marcada pela ausência física dos principais integrantes da família. Dos irmãos, apenas o vereador Jair Renan compareceu ao local, enquanto Eduardo e Carlos enviaram mensagens gravadas em vídeo. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que se reconciliou publicamente com Flávio dias antes após atritos nas redes sociais, também justificou sua ausência e mandou um depoimento de apoio exibido nos telões.

“Flávio, que Deus abençoe e proteja a sua candidatura. O meu galego não pode estar com vocês, e eu também não posso porque estou em casa cuidando dele”, declarou Michelle no vídeo, citando o enteado uma única vez ao exaltar o marido como “o grande líder”.

Atualmente condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente Jair Bolsonaro participou de forma virtual por meio de uma gravação gerada por inteligência artificial. No material, a simulação digital do ex-mandatário mandou um recado direto aos militantes presentes no auditório.

“Nenhuma prisão vai calar milhões de brasileiros que acreditam no nosso país”, dizia a gravação exibida durante o ato partidário.

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A mesa do evento contou com o suporte internacional do presidente da Argentina, Javier Milei, além da presença do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Em um discurso inflamado de quase meia hora em espanhol, Milei fez duras críticas ao socialismo, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo careca” por negar autorização de visita a Jair Bolsonaro.

Passadas as 13h, com a plateia já esvaziada após a longa fala do líder argentino, Flávio Bolsonaro subiu ao palco usando um colete à prova de balas sob a camisa. Em um pronunciamento emocional de cerca de 18 minutos, o candidato chorou ao mencionar o pai, criticou o Judiciário com tom mais brando que o de Milei e classificou o pleito de 2026 como uma “luta do bem contra o mal”.

“Uma luta de quem defende um projeto de país contra aqueles que defendem um projeto de poder. Uma luta de quem paga impostos pesados contra aqueles que só pensam em meter a mão no bolso do trabalhador brasileiro”, afirmou Flávio.

O candidato reafirmou que foi o escolhido de forma pessoal pelo pai para liderar o projeto da direita e prometeu reverter a condenação que pesa sobre a família. Bateu no peito e garantiu aos apoiadores que, caso seja vitorioso nas urnas, Jair Bolsonaro subirá a rampa do Palácio do Planalto ao seu lado em janeiro de 2027.

Desgastes financeiros e investigações cercam candidatura no PL

O lançamento oficial de Flávio Bolsonaro ocorre em um momento de acúmulo de crises políticas e jurídicas para o candidato. O parlamentar voltou a ser associado a movimentações do Banco Master após a imprensa revelar que seu escritório de advocacia emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais para empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro — duas delas canceladas no mesmo dia. O senador alega que desistiu de prestar os serviços e nega ter praticado qualquer irregularidade.

Paralelamente aos problemas fiscais, o ministro do STF André Mendonça autorizou a Polícia Federal a investigar se repasses financeiros foram utilizados para custear a manutenção do irmão Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. A apuração amplia a pressão sobre o núcleo familiar e adiciona desgaste à imagem do pré-candidato no início da corrida eleitoral.

Para complicar o quadro de imagem, o senador precisou vir a público dar explicações sobre uma fotografia em que aparece ao lado de Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, suspeito de integrar uma milícia privada a serviço do Banco Master e que se matou na prisão. Flávio afirmou inicialmente que não conhecia o homem e que tira fotos com diversos eleitores, alegando posteriormente que a imagem teria sido adulterada.

Apesar da sucessão de desgaste e do isolamento em relação a grandes coligações partidárias, o herdeiro político do bolsonarismo preserva seu capital eleitoral. Segundo dados do agregador de pesquisas da BBC News Brasil, Flávio aparece competitivo em um eventual segundo turno, registrando 42% das intenções de voto contra 46% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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