Hoje é 16 de setembro de 2026 10:10

STF torna Gustavo Gayer réu por associar Lula ao nazismo

Primeira Turma entende que imunidade parlamentar não autoriza o uso de imagens manipuladas para ofensa e aceitou denúncia por unanimidade
Deputado federal goiano Gustavo Gayer responderá a ação penal após decisão do Supremo que considerou ofensiva a postagem contra o presidente // Foto: Mario Agra/CD

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) aceitou, nesta terça-feira (28/04), denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO). Com a decisão unânime no Inquérito (Inq) 4974, o parlamentar passa a responder como réu por crime de injúria contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O processo investiga uma publicação feita por Gayer nas redes sociais em 2024, que exibia uma imagem manipulada de Lula. Na montagem, o presidente aparecia com uniforme militar, portando um fuzil e exibindo símbolos nazistas e referências ao grupo Hamas.

A defesa do deputado sustentou nos autos que a postagem seria apenas uma crítica política protegida pela imunidade parlamentar. A tese foi rechaçada.

Decisão do colegiado

O relator do caso, ministro Flávio Dino, afirmou que a denúncia apresenta os requisitos necessários para a abertura da ação penal. Segundo o ministro, a manipulação artificial de fotos para atribuir condutas falsas a terceiros ultrapassa o limite da tolerância e do debate político, não sendo protegida pela imunidade parlamentar.

Os ministros Cristiano Zanin, Alexandre de Moraes e a ministra Cármen Lúcia acompanharam o voto do relator. Cármen Lúcia ressaltou que a prerrogativa parlamentar não pode funcionar como um escudo para ataques pessoais ou impunidade, especialmente no contexto atual de facilidade em falsificar imagens com inteligência artificial.

Posicionamento da PGR

A subprocuradora-geral da República, Elizeta Ramos, argumentou que a associação falsa do presidente ao nazismo atinge diretamente a sua honra e dignidade. Segundo a PGR, o deputado Gustavo Gayer recusou uma proposta de transação penal oferecida pelo Ministério Público para encerrar o caso, o que levou ao prosseguimento da denúncia no STF.

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