Hoje é 16 de setembro de 2026 06:03

Van que matou cinco estudantes na GO-518 estava irregular, diz AGR

Veículo do Fundo Estadual de Saúde cedido à Prefeitura de Sanclerlândia operava o transporte escolar sem cadastro em órgãos de trânsito e fiscalização
A van que colidiu contra a traseira de um caminhão na GO-518, na última segunda-feira, operava no transporte escolar sem cadastro nos órgãos de fiscalização // Foto: Reprodução

A van que transportava estudantes e se envolveu em um grave acidente na GO-518, resultando na morte de cinco adolescentes, não possuía autorização para realizar o transporte escolar intermunicipal. A informação foi confirmada pela Agência Goiana de Regulação (AGR). No momento da colisão, o veículo levava 12 alunos de Córrego do Ouro para Sanclerlândia.

O acidente aconteceu na noite de segunda-feira (1/6), na região oeste do estado, no trecho entre Buriti de Goiás e Córrego do Ouro. Os jovens retornavam para casa após o período de aulas no Colégio Estadual da Polícia Militar 5 de Janeiro, em Sanclerlândia, quando a van colidiu violentamente contra a traseira de um caminhão.

Além de não possuir cadastro na AGR, o utilitário também não constava como transporte escolar no sistema do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (Detran-GO). O veículo está registrado em nome do Fundo Estadual de Saúde de Goiás, e a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO) informou que ele havia sido cedido ao município de Sanclerlândia em 2018, ficando sob responsabilidade da prefeitura quanto à sua manutenção e destinação.

Ao ser questionada sobre a situação, a Prefeitura de Sanclerlândia alegou que repassou o veículo ao Colégio da Polícia Militar local por meio da Associação de Pais, Mestres e Funcionários (APMF). Segundo a administração municipal, a associação era a verdadeira responsável pela operação da van, pela cobertura de seguro e pela contratação do condutor, cujo pagamento era feito diretamente pelos pais dos alunos. A direção do colégio ainda não se manifestou.

Estudantes do Colégio Militar 5 de Janeiro que morreram no acidente; vítimas tinham entre 12 e 14 anos

A dinâmica da colisão e eventuais falhas estruturais também estão na mira das autoridades. De acordo com as investigações preliminares da Polícia Civil, um veículo que trafegava no sentido contrário com faróis altos pode ter ofuscado a visão do motorista da van, um homem de 70 anos. Além disso, peritos constataram que nem a van nem a carreta possuíam tacógrafo, equipamento obrigatório para registrar a velocidade de rodagem para esses tipos de veículos.

A sinalização da carreta e as condições da rodovia, que possui pista simples e não tem acostamento, estão sendo minuciosamente analisadas pela Polícia Científica, que tem até 30 dias para concluir os laudos periciais. O caso é investigado criminalmente como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e lesão corporal no trânsito.

Estado de saúde dos feridos

O motorista e outros sete passageiros ficaram feridos na colisão e foram socorridos às pressas pelas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. Atualmente, três adolescentes que sobreviveram continuam internados em unidades de saúde sob os cuidados de equipes médicas. O motorista da van não se lesionou.

A estudante Emanuella Augusta, de 12 anos, inspira maiores cuidados e permanece em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (Hugol), em Goiânia. No mesmo hospital, outro adolescente de 12 anos passou por procedimento cirúrgico e segue internado em estado regular na enfermaria.

O terceiro paciente, um jovem de 13 anos, foi transferido para o Hospital Estadual de Ortopedia e Reabilitação (Crer). De acordo com informações compartilhadas por familiares, o adolescente já passou por cirurgia ortopédica e apresenta boa recuperação.

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