O vereador Zander Fábio (Podemos), ex-secretário de Cultura de Goiânia, foi preso na manhã desta terça-feira (26/5) durante uma operação da Polícia Civil de Goiás que apura desvio de recursos públicos. A ação também resultou na prisão de outros dois suspeitos.
Segundo a investigação, o parlamentar foi abordado pelos agentes no interior de uma igreja na capital, onde estava no momento da chegada da equipe. Ele ocupava uma cadeira na Câmara Municipal em razão da licença médica da titular, a vereadora Léia Klebia (Podemos).
As apurações são um desdobramento de auditorias que identificaram irregularidades no período em que Zander comandou a Secretaria Municipal de Cultura, entre 2021 e 2024. Nesse intervalo, a pasta autorizou o repasse de R$ 1,8 milhão para duas ONGs controladas por um mesmo grupo familiar.
A Polícia Civil afirma que o esquema envolvia uma associação criminosa formada por agentes públicos e particulares. Segundo os investigadores, o grupo usava contas bancárias e pessoas jurídicas de fachada para desviar dinheiro público por meio de contratações diretas, sem licitação, feitas junto à Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia.
A Operação Cultura Em(Cena) cumpriu três mandados de prisão temporária e 13 mandados de busca e apreensão em Goiânia e Aparecida de Goiânia. Também foram adotadas medidas judiciais de afastamento dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além da proibição de contratação com o poder público.
Ações investigadas ocorreram principalmente em 2024
De acordo com a Deccor, a atuação do grupo se concentrou principalmente em 2024. A investigação aponta que foram realizadas ao menos 41 operações de pagamento, somando R$ 1,5 milhão, destinadas às empresas com a finalidade formal de remunerar profissionais descritos como artistas, produtor de palco, diretor logístico e diretor executivo em eventos de exposição de carros antigos organizados por um clube da capital.
“As operações de pagamento foram sequenciadas e, em muitos casos, realizadas no mesmo dia e com valores idênticos; as empresas, recém-constituídas, não contavam com histórico de mercado, infraestrutura, pessoal e a suposta sede onde funcionavam suas atividades se confundia com a própria residência dos envolvidos”, informou a Polícia Civil.
Ainda segundo a corporação, os donos das empresas e os profissionais supostamente contratados eram vinculados ao clube responsável pelos eventos. Os indícios reunidos pelos investigadores apontam que o dinheiro público retornava para os agentes públicos envolvidos, inclusive por meio do pagamento de contas particulares.

Um dos alvos de busca foi o escritório político do ex-vereador Leandro Sena. Além de Zander, também foi preso o empresário Jean de Jesus Magno Lima, apontado como suspeito de envolvimento na abertura de empresas de fachada. Os nomes dos demais investigados não foram divulgados.
Em nota, o ex-prefeito Rogério Cruz afirmou que não é investigado na operação e disse confiar no trabalho das autoridades para a completa apuração dos fatos. A Câmara Municipal de Goiânia informou que acompanha a apuração e ressaltou que o Legislativo não é citado nem integra a investigação.
O Portal NG entrou em contato com a assessoria de Zander Fábio e aguarda retorno.

