Hoje é 31 de outubro de 2026 09:00

Câmara de Goiânia aprova reajuste para administrativos da Educação

Oposição considera aumento insuficiente e cobra plano de carreira enquanto base aliada classifica aprovação como avanço financeiro histórico para categoria
Plenário da Câmara Municipal de Goiânia aprova em primeira votação projeto do prefeito Sandro Mabel que estabelece reajuste na tabela salarial dos servidores administrativos da Educação // Foto: Reprodução/Câmara

O plenário da Câmara Municipal de Goiânia aprovou, em primeira votação nesta quinta-feira (29/10), o Projeto de Lei nº 477/2026. A matéria, de autoria do prefeito Sandro Mabel (União Brasil), reestrutura a tabela de vencimentos dos trabalhadores administrativos da Educação.

O texto altera a Lei Municipal nº 9.128/2011 e fixa o novo vencimento básico inicial em R$ 1.640,00 para a jornada de 30 horas semanais. Após a aprovação inicial, o projeto segue para a Comissão do Trabalho e Servidores Públicos antes de retornar para a segunda votação.

A proposta estabelece a recomposição progressiva das diferenças salariais entre níveis e referências da categoria, corrigindo distorções na tabela. Os reajustes serão aplicados anualmente no dia 1º de maio, estendendo-se até 2030.

Para 2026, os novos valores fixam o vencimento no Nível I, Referência A, em R$ 1.640,00, podendo chegar a R$ 2.263,21 no Nível IV, Referência J. O impacto financeiro estimado na folha de pagamento é de R$ 7,6 milhões em 2026 e atinge R$ 20,9 milhões em 2027.

O cronograma estabelece índices de 7,42% entre níveis e 1,2% entre referências em 2026. Os percentuais sobem para 8,57% e 1,4% em 2027; 9,71% e 1,6% em 2028; 10,86% e 1,8% em 2029; e chegam a 12% entre níveis e 2% entre referências em 2030.

O texto garante o reenquadramento automático dos servidores sem perda remuneratória. A Prefeitura reforça que a atualização corrige distorções acumuladas e assegura valores superiores ao salário mínimo nacional, preservando a hierarquia dos cargos operacionais e de apoio.

“Estamos avançando cada vez mais na organização da carreira dos trabalhadores administrativos da Educação, que têm um papel importante no funcionamento das nossas escolas. É um passo importante para valorizar esses profissionais, respeitando o planejamento financeiro do município e dando mais clareza à evolução da carreira”, declarou o prefeito Sandro Mabel.

A secretária municipal de Educação, Giselle Faria, também destacou o alcance da medida para o quadro funcional da pasta.

“A proposta de reestruturação da carreira dos trabalhadores administrativos representa um avanço na política de valorização dos servidores, que são fundamentais para a qualidade do serviço educacional”, destacou a secretária.

 Oposição critica valores escalonados e base defende reajuste

A aprovação do projeto de reajuste da tabela de vencimentos dos servidores administrativos da Educação dividiu os vereadores no Plenário da Câmara de Goiânia. Parlamentares da oposição criticaram os índices concedidos e o cronograma longo de pagamento. Já a base governista defendeu a proposta como uma conquista dentro dos limites orçamentários do município.

O vereador Edward Madureira (PT) sustentou que a medida não substitui a necessidade de um plano de carreira completo para a categoria. Ele também criticou a ausência do pagamento retroativo ao mês de agosto.

“É o mínimo que poderia ser feito. Não é o plano de carreira, é apenas a correção de uma tabela que estava congelada há muitos anos”, declarou o parlamentar.

“Dos males, o menor. Pelo menos a gente tem alguma perspectiva de recomposição da carreira mais prejudicada da história de Goiânia, em que muitos têm que receber complementação para chegar ao salário mínimo. Então é lamentável que a gente esteja nessa situação, mas é só o primeiro passo”, completou Edward Madureira.

Fabricio Rosa: “Aumento trazido pelo prefeito não é um aumento que reconhece a dignidade dos técnico-administrativos”

Fabrício Rosa (PT) afirmou que a atualização salarial permanece abaixo do necessário para garantir a dignidade dos profissionais de apoio. O parlamentar também questionou o parcelamento do reajuste até 2030.

“Esses técnicos em Goiânia recebem um salário superbaixo e esse aumento trazido pelo prefeito não é um aumento que reconhece a dignidade dos técnico-administrativos. O salário inicial saiu de R$ 1.610 e foi para R$ 1.640. O salário final é em torno de R$ 2.300. Ainda é um salário muito baixo para quem tem um trabalho fundamental no funcionamento da educação”, aponta Rosa.

Por outro lado, o líder do governo, vereador Wellington Bessa (Mobiliza), argumenta que a proposta atualiza uma tabela sem reajustes estruturais desde 2011.

“Eu entendo, até por ser um vereador da educação, que é um avanço. A tabela foi criada em 2011 e foi recebendo aumento apenas decorrente da data-base dos servidores. Foi feito de acordo com o que a prefeitura pode fazer nesse momento e nada impede de a gente continuar a trabalhar para conseguir novos aumentos”, pontuou Wellington Bessa.

O vereador Markim Goyá (PRD) também elogiou a gestão municipal e defendeu o planejamento financeiro adotado pelo Executivo.

“2027 será um ano muito próximo não só pelos servidores públicos municipais, mas para toda a cidade de Goiânia. O Sandro pegou a prefeitura com grande déficit, já fez superávit e vai fazer entregas que vão surpreender a todos”, declarou Markim Goyá.

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