Hoje é 19 de outubro de 2026 17:34

‘Bolsa Arma’: Câmara de Goiânia libera dinheiro para proteção de mulheres

Vereadores derrubam veto de Mabel a projeto que prevê até R$ 5 mil para compra de armas; prefeitura e Ministério Público são contra
Proposta aprovada exige residência de dois anos em Goiânia e laudo de risco; PGM e MPGO alertam que medida viola competência da União e a Lei Maria da Penha // Ilustração criada por IA por Bing Image Creator

A Câmara Municipal de Goiânia derrubou, na sessão desta terça-feira (25/8), o veto parcial do prefeito Sandro Mabel (União) ao projeto de lei que prevê auxílio financeiro e orientação para a autodefesa de mulheres em situação de violência. A proposta, aprovada por 20 votos a favor, garante o reembolso municipal para a aquisição de equipamentos de proteção e armas de fogo por vítimas de agressão.

Idealizada pelo vereador Major Vitor Hugo (PL), a matéria estabelece prioridade para medidas preventivas, escala progressiva de proteção e avaliação psicológica contínua. Para ter acesso aos benefícios, a mulher precisa comprovar residência na capital há pelo menos dois anos e apresentar registro de ocorrência, medida protetiva ou laudo de órgão público que ateste a situação de risco.

“O Escudo Feminino não incentiva o armamento irrestrito. Ele confere apoio, capacitação e meios graduais de autodefesa para mulheres em risco. Estamos falando de aula de defesa pessoal, spray de pimenta, taser e, nos casos mais graves, até arma de fogo”, defende o parlamentar.

Os trechos vetados pelo Executivo e agora restaurados pelo Legislativo autorizam reembolsos de até R$ 5 mil para a compra de arma de fogo, R$ 1.200 para taser, R$ 1.500 para cursos de tiro, R$ 400 para spray de pimenta e R$ 150 mensais, por até três meses, para aulas de artes marciais.

Após a derrubada do veto pelos parlamentares, a lei segue para promulgação pela própria Câmara Municipal nos próximos dias.

Prefeitura e MP apontam inconstitucionalidade e devem ir à Justiça

A Procuradoria-Geral do Município (PGM) confirmou que acionará o Poder Judiciário para barrar a aplicação da nova lei. O órgão endossa a avaliação jurídica da própria procuradoria da Câmara e aponta que o texto invade a competência privativa da União para legislar sobre material bélico e Direito Penal, além de omitir o estudo de impacto orçamentário.

“O parecer da Procuradoria focou na inviabilidade do projeto e na ausência de estudo de impacto financeiro e orçamentário na propositura, o que inviabiliza a sua execução”, afirma o procurador-geral do Município, Wandir Allan de Oliveira.

O Ministério Público de Goiás (MPGO) também se manifestou contra a iniciativa aprovada neste mês de agosto, alertando que a medida contraria a Lei Maria da Penha e aumenta os riscos às vítimas ao adotar a autodefesa armada como resposta à violência doméstica.

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