A cadeia produtiva do trigo voltou ao centro das atenções diante de um cenário internacional de pressão sobre custos e oferta do grão. Em Goiás e na região Centro-Oeste, a indústria moageira já sente os efeitos do encarecimento logístico, da valorização do trigo no mercado externo e de mudanças tributárias internas, fatores que ampliam os desafios para manter o equilíbrio do setor.
O alerta foi reforçado pelo Sindicato dos Moinhos de Trigo da Região Centro-Oeste (Sindtrigo), que acompanha os impactos diretos sobre a indústria e a cadeia de alimentos.
O trigo é matéria-prima essencial para produtos amplamente consumidos no país, como farinha, pães, massas e biscoitos, o que amplia o alcance das oscilações do mercado internacional sobre empresas e consumidores.
Para o presidente do Sindtrigo, Sérgio Scodro, o momento exige atenção permanente por parte do setor: “Estamos diante de um ambiente de custos elevados em várias frentes, desde o frete até os insumos industriais. O setor tem adotado medidas para preservar o abastecimento e reduzir impactos, mas é um cenário que exige acompanhamento constante”, afirma.
A avaliação regional acompanha o diagnóstico da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), que aponta agravamento das condições econômicas para a cadeia produtiva no país. Segundo a entidade, fatores como a alta do petróleo, o aumento do diesel e dos fretes, além da elevação das cotações internacionais do trigo, têm pressionado diretamente os custos da indústria.
Além das variáveis externas, mudanças tributárias recentes também ampliaram o peso sobre o setor. A incidência de PIS/Cofins sobre o trigo importado e a redução de benefícios fiscais elevaram a carga sobre itens básicos, podendo chegar a até 10% no caso da farinha de trigo.
Na avaliação do Sindtrigo, esse cenário reduz a capacidade de absorção de custos pelas empresas e aumenta o risco de repasses ao longo da cadeia.
Indústria do setor tem buscado alternativas
Apesar das dificuldades, a indústria tem buscado alternativas para minimizar os efeitos da conjuntura. Entre as estratégias adotadas estão a diversificação de fornecedores, revisão de rotas logísticas, otimização de estoques e ganhos de eficiência operacional.

Em paralelo, Goiás tem ampliado sua participação na produção nacional com o avanço do chamado “trigo do Cerrado”, cultivado em áreas agrícolas da região.
Embora ainda dependa de importações para atender à demanda interna, o crescimento da produção local surge como alternativa para fortalecer a cadeia produtiva e reduzir a vulnerabilidade às oscilações do mercado internacional.

