Hoje é 28 de outubro de 2026 11:12

Einstein Paniago propõe debate técnico sobre mudanças na jornada de trabalho

Professor e pesquisador afirma que o diálogo entre trabalhadores, empregadores e poder público será fundamental para conciliar produtividade, preservação dos empregos e desenvolvimento econômico
“O compromisso deve ser com o trabalhador e com quem empreende, com a geração de oportunidades e com um Estado mais eficiente, competitivo e socialmente justo”, pondera Paniago // Foto: Reprodução

O debate sobre a possível revisão da escala de trabalho 6×1, em discussão no Congresso Nacional, exige uma análise que vá além das disputas ideológicas e considere os impactos econômicos e sociais das mudanças propostas. A avaliação é do professor universitário, pesquisador e contabilista Einstein Paniago, que defende a construção de soluções capazes de conciliar qualidade de vida para os trabalhadores com a sustentabilidade das empresas.

Segundo ele, alterações estruturais nas relações de trabalho precisam ser fundamentadas em estudos técnicos e em avaliações consistentes sobre seus reflexos na geração de empregos, na competitividade e no ambiente de negócios.

“Não podemos cair em simplificações. A economia é dinâmica, e qualquer mudança precisa considerar os impactos reais sobre empresas, empregos e sobre a vida das famílias brasileiras”, afirma.

Para Paniago, a adoção de uma nova jornada de trabalho sem período de adaptação ou mecanismos que permitam ajustes graduais pode elevar significativamente os custos operacionais, especialmente para micro e pequenas empresas, responsáveis por grande parte dos empregos formais no país.

Ao mesmo tempo, ele ressalta que a discussão não deve ignorar as condições de trabalho e os reflexos da sobrecarga na saúde dos profissionais.

“Um trabalhador exausto produz menos, adoece mais e tem sua qualidade de vida comprometida. É necessário buscar um equilíbrio que preserve a dignidade humana sem comprometer a sustentabilidade das atividades econômicas”, pontua.

Diálogo e produtividade

Na avaliação do professor, o caminho mais seguro passa pela construção de consensos entre trabalhadores, empregadores e formuladores de políticas públicas, acompanhada de investimentos em qualificação profissional, inovação e aumento da produtividade.

Ele observa que setores como comércio, serviços, alimentação, transporte e saúde dependem de funcionamento contínuo, exigindo soluções que considerem suas particularidades.

“É fundamental preservar empregos. Uma mudança mal planejada pode estimular a informalidade, dificultar a operação de pequenos negócios e gerar efeitos contrários aos desejados”, observa.

Paniago também alerta que experiências internacionais frequentemente citadas no debate ocorreram em economias com níveis de produtividade, estrutura empresarial e capacidade de investimento diferentes da realidade brasileira.

Segundo ele, a simples reprodução desses modelos, sem considerar as características econômicas nacionais, pode comprometer seus resultados.

Desenvolvimento com responsabilidade

Ao defender uma abordagem técnica para o tema, Einstein Paniago afirma que políticas públicas voltadas ao mercado de trabalho precisam equilibrar crescimento econômico, proteção social e competitividade.

“O compromisso deve ser com o trabalhador e com quem empreende, com a geração de oportunidades e com um Estado mais eficiente, competitivo e socialmente justo”, conclui.

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