Senador Canedo voltou ao centro das atenções na Operação Carbono Oculto. Na nova etapa da ofensiva, deflagrada nesta quinta-feira (24/9) pelo Gaeco do Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal, um mandado de busca e apreensão foi cumprido no município goiano.
A cidade já havia sido alvo da força-tarefa em agosto de 2025, quando o Ministério Público de Goiás cumpriu dez mandados em distribuidoras e produtoras locais por sonegação e lavagem de dinheiro. Agora, os investigadores miram uma engrenagem financeira ainda mais ampla, suspeita de movimentar R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 no setor de combustíveis.
Denominada “Crédito Oculto”, esta fase apura o uso de fintechs, holdings, fundos de investimento e empresas patrimoniais para ocultar os reais donos da usina sucroalcooleira Terrana. A estrutura teria sido montada para viabilizar e mascarar o financiamento da aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.
Ao todo, 29 endereços ligados a 13 pessoas físicas e 19 empresas receberam equipes policiais e fiscais. Além de Goiás, os mandados foram distribuídos por São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso e Santa Catarina.
A apuração detalha repasses de alta complexidade para dar aparência legal a recursos de origem duvidosa. Uma única instituição financeira envolvida na estrutura investigada movimentou R$ 11,6 bilhões no período recente, enquanto cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios ligados à Terrana estão sob análise direta da fiscalização.
Os investigadores também identificaram um aporte de aproximadamente R$ 100 milhões que circulou por contas de diferentes fintechs e empresas antes de alcançar a companhia alvo do negócio, em manobra arquitetada para dificultar o rastreamento dos beneficiários finais.
As buscas alcançaram nomes influentes do setor financeiro e empresarial. Entre os investigados estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e seus irmãos André e Bruno Tupinambá.
Outro nome citado na operação é o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, proprietário da Entre Investimentos, companhia conhecida no mercado por ter financiado o filme *Dark Horse*, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. As autoridades apontam suspeitas de uso de investimentos de fachada e transações atípicas promovidas por esse grupo.
A investigação segue em andamento conduzida pelo Gaeco paulista e pela Receita Federal, com apoio de órgãos estaduais. O objetivo é identificar os beneficiários finais das transações, rastrear a origem do capital e mapear a extensão total da rede criminosa envolvida no setor.
Rota do dinheiro envole repasses em fintechs e usina sucroalcooleira
O esquema funcionava por meio de uma engenharia financeira projetada para ocultar os verdadeiros donos dos recursos. O grupo utilizava a usina Terrana e repasses fracionados entre diversas empresas de fachada e fintechs para simular operações comerciais legítimas.
Essa manobra permitia o financiamento e a aquisição da grande distribuidora de combustíveis sem levantar suspeitas imediatas dos órgãos de fiscalização. A movimentação triangulada buscava blindar o patrimônio e mascarar a origem do capital empregado no negócio.

