A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) apresentou à Confederação Nacional da Indústria (CNI) uma iniciativa voltada a orientar empresas, sindicatos e trabalhadores sobre as mudanças relacionadas à escala de trabalho 6×1. A proposta foi discutida durante a 9ª Reunião de Diretoria da CNI, realizada na terça-feira (27/10), em Brasília, que reuniu representantes do setor industrial para debater o cenário econômico e temas ligados às relações de trabalho.
O presidente da Fieg, André Rocha, destacou que a experiência desenvolvida em Goiás busca identificar as principais dúvidas do setor produtivo e organizar informações para facilitar a compreensão das novas regras. O trabalho inclui consultas a empresas e sindicatos, com o objetivo de reunir questionamentos e transformá-los em materiais de orientação.
A primeira cartilha já foi elaborada e compartilhada com a CNI e outras federações estaduais da indústria. A Fieg também prepara um conteúdo mais abrangente, com previsão de distribuição em formato de guias e e-books para alcançar empresas, entidades sindicais e trabalhadores.
A iniciativa procura oferecer referências para que os diferentes segmentos envolvidos compreendam as mudanças e avaliem seus efeitos sobre a organização das jornadas, as relações entre empregadores e empregados e a rotina das atividades industriais. A entidade goiana pretende contribuir, assim, para reduzir dúvidas e apoiar a adaptação do setor às novas disposições trabalhistas.
Cenário econômico e Congresso em 2027
Além das relações de trabalho, a reunião tratou das perspectivas para a economia brasileira e dos possíveis reflexos do cenário político sobre a atividade industrial. A análise macroeconômica foi apresentada por Jeferson Bittencourt, responsável pela área de Macroeconomia da ASA, que abordou indicadores e tendências com impacto sobre o ambiente de negócios.
Os participantes também discutiram a composição do Congresso Nacional a partir dos resultados das eleições de 2026 e os possíveis desdobramentos para a agenda econômica e legislativa de 2027. Para a indústria, as decisões tomadas nesse período podem influenciar temas como competitividade, investimentos, custos de produção e regras que afetam a contratação e a organização do trabalho.
A discussão sobre a escala 6×1 integra esse contexto mais amplo, no qual alterações na legislação trabalhista exigem acompanhamento das entidades representativas e avaliação dos efeitos sobre diferentes setores. A produção de materiais explicativos é uma das formas de preparar empresas e trabalhadores para compreender as normas e suas implicações práticas.
Intercâmbio entre federações

A programação também incluiu apresentações de iniciativas conduzidas por federações estaduais, além de experiências da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) relacionadas à gestão e ao desenvolvimento de lideranças.
Outro assunto abordado foi a participação brasileira no WorldSkills 2026, competição internacional que reúne jovens profissionais de diferentes países para demonstrar habilidades técnicas. O evento está relacionado à formação profissional e à preparação de trabalhadores para as demandas do mercado.
Durante a reunião, os dirigentes também prestaram homenagem à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), representada pelo diretor-geral Sandoval Feitosa. A pauta reforçou a presença de temas regulatórios e de qualificação profissional entre os assuntos de interesse do setor industrial.
Ao apresentar a experiência goiana sobre a escala 6×1, André Rocha levou à discussão nacional uma iniciativa baseada no levantamento de dúvidas e na produção de orientações para o setor produtivo. A próxima etapa será ampliar o alcance dos materiais, de modo que empresas, sindicatos e trabalhadores tenham acesso a informações que ajudem a compreender as mudanças e organizar sua aplicação nas relações de trabalho.

