O vereador Gleison Flávio (sem partido) anunciou, na sessão ordinária desta quarta-feira (9/9), sua renúncia ao cargo de líder do prefeito Leandro Vilela (MDB) na Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia. A decisão põe fim a um ciclo de quatro meses na função de principal interlocutor do Paço Municipal no Legislativo e abre uma crise na articulação política da gestão.
Apesar da entrega do cargo, o parlamentar garantiu que não rompeu politicamente com o Executivo e que permanecerá na bancada governista.
“A partir de hoje, vocês não precisam mais me chamar de líder do prefeito. Eu quero continuar amigo do prefeito, líder do prefeito eu não quero mais. Vou seguir na base até quando o prefeito quiser”, declarou Gleison na tribuna.
O desligamento ocorre após meses de distanciamento e, segundo ele, falhas de comunicação com a gestão. O parlamentar revelou estar há mais de 40 dias sem conseguir despachar com Leandro Vilela e reclamou da postura do secretariado municipal, que estaria ignorando os chamados dos parlamentares. Segundo Gleison, a última interação com o prefeito ocorreu em 19 de agosto, quando recebeu apenas um “bom dia” por mensagem.
A saída de Gleison Flávio força o prefeito Leandro Vilela a reorganizar com urgência sua base aliada na Câmara para escolher um novo nome capaz de conduzir a votação de matérias estratégicas para o município.
Série de desgastes pessoais e vetos motivou a renúncia
A decisão de deixar a liderança foi impulsionada por uma sequência de atritos diretos entre o vereador e a administração municipal. No campo legislativo, a gota d’água foi o veto integral do prefeito ao Projeto de Lei nº 134/2025, de autoria de Gleison, que criava a Carteira de Identificação para Pessoas com Fibromialgia. Antes de anunciar a renúncia, Gleison reclamou do veto.
Episódios na área de zeladoria urbana também alimentaram a insatisfação do parlamentar, que insinuou ser alvo de retaliações veladas. Gleison citou uma operação de recapeamento que contemplou todo seu bairro, mas deixou de fora exclusivamente a rua em que ele reside.
Além disso, o vereador relatou ter sido autuado com uma multa por acúmulo de entulho em frente à sua casa, mesmo afirmando que o local estava limpo. Os episódios selaram o enfraquecimento do diálogo e inviabilizaram sua permanência no comando do governo na casa.

