Hoje é 20 de outubro de 2026 03:17

Goiás monta força-tarefa para conter danos do super El Niño

Estrutura reúne órgãos estaduais e setor produtivo para ações preventivas; área atingida pelo fogo no estado já cresceu 23,3% em 2026
Governo de Goiás cria Gabinete de Ações Integradas para combater estiagem e incêndios florestais intensificados pelo fenômeno El Niño // Fotos: Remisson Sales/ Naira Batista

O Governo de Goiás apresentou nesta terça-feira (18/8) o Gabinete de Ações Integradas (GAI), uma força-tarefa voltada a monitorar a estiagem e combater os incêndios florestais intensificados pelo fenômeno El Niño. Articulada pelo Corpo de Bombeiros por meio do Comando de Operações de Defesa Civil (Codec), a estrutura unifica órgãos públicos e parceiros para executar medidas de prevenção, emergência e recuperação ambiental.

A urgência da medida é reflexo do aumento das queimadas no estado. Entre janeiro e 16 de agosto de 2026, Goiás contabilizou 138.908 hectares atingidos pelo fogo, o que representa um crescimento de 23,3% em relação aos 112.686 hectares registrados no mesmo período do ano anterior.

“A nossa preocupação é com o super El Niño, que terá um impacto muito significativo caso se concretize. E o gabinete visa, de forma unida, encontrar soluções que minimizem os efeitos no Estado”, frisou o governador Daniel Vilela.

Para enfrentar o cenário, o gabinete utilizará inteligência artificial, imagens de satélite, geoprocessamento e monitoramento por drones. As ferramentas visam antecipar focos de crise e agilizar a resposta das equipes em situações de emergência ambiental, hídrica e sanitária.

“Estamos atuando em tempo real. Conseguimos identificar um foco de incêndio e, ao mesmo tempo, montar equipes. Descentralizamos e montamos seis bases no Nordeste goiano, onde está o maior foco de incêndio. Diariamente, vamos divulgar o que está acontecendo”, informou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Washington Luiz Vaz Júnior.

O alerta climático indica probabilidade superior a 90% de consolidação de um El Niño de intensidade forte a muito forte até o fim do ano. Esse quadro favorece irregularidades nas chuvas, atraso na recarga do solo, perdas na agropecuária e alta na incidência de doenças respiratórias.

Além do fogo, o estado enfrenta forte seca. Segundo o Monitor de Secas, 151 municípios goianos sofrem com a redução contínua das chuvas, dos quais 51 exigem atenção prioritária por estarem em crise hídrica recorrente.

Diante do risco à saúde pública, os estoques estaduais de insumos médicos estão sendo reforçados.

 “As unidades estaduais estão em operação com suprimentos regulares e colocamos como indicador aumentar em 30% o estoque estratégico de oxigênio, broncodilatadores e soro”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Rasível Santos.

A preparação envolve também o monitoramento constante dos mananciais e a estruturação de equipes de campo. A secretária de Meio Ambiente, Andréa Vulcanis, destacou que a rede hidrológica do estado foi ampliada em cerca de mil por cento para fornecer dados precisos às tomadas de decisão do gabinete.

A sede das operações funcionará na Sala de Situação do Codec, em Goiânia, dividindo os trabalhos em três frentes principais: prevenção, ações emergenciais e apoio à recuperação socioeconômica e ambiental das áreas afetadas.

Setor produtivo integra ações contra crise climática em Goiás

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) passou a compor a mobilização governamental para enfrentar a estiagem e o risco de desabastecimento. Dados da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) revelam uma redução média de 30% na disponibilidade de água superficial no estado, ameaçando a irrigação, o setor produtivo e o abastecimento público.

Representando a entidade, o presidente do Conselho Temático da Agroindústria (CTA) da Fieg, Marduk Duarte, ressaltou a relevância do diálogo preventivo entre o setor produtivo e as forças de segurança e fiscalização.

“É muito importante a Fieg estar representada nesta discussão. Estamos diante de um fenômeno climático que pode afetar Goiás tanto com períodos de seca quanto com chuvas de grande intensidade. A articulação do governo permite trabalhar para prevenir ocorrências e, caso elas aconteçam, já contar com um plano de ação”, afirmou Marduk Duarte.

Representante da Fieg no evento, Marduk Duarte (ao centro), ressaltou a relevância do diálogo preventivo entre o setor produtivo e as forças de segurança e fiscalização

A participação das indústrias busca alinhar estratégias de prevenção antes do agravamento da seca e preparar planos de resposta para o período chuvoso, que pode trazer tempestades severas. Para auxiliar nas primeiras ações contra queimadas, o Estado também capacitou brigadas comunitárias nas regiões mais suscetíveis.

A estrutura conta com o suporte do Sistema de Meteorologia e Hidrologia do Estado de Goiás (Simehgo), que opera cerca de 280 estações automáticas para monitorar a qualidade do ar, os mananciais e os volumes de chuva a cada dez minutos. Os modelos meteorológicos atuais indicam precipitações apenas pontuais para as próximas semanas, mantendo o alerta para a vegetação seca.

Paralelamente, a rede de saúde iniciará encontros com gestores municipais a partir de 24 de agosto para alinhar protocolos contra os efeitos do calor extremo e da fumaça. Os alertas de emergência à população serão centralizados pela Defesa Civil com o envio de avisos diretamente aos celulares em casos de risco severo.

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