Hoje é 23 de outubro de 2026 18:12

Justiça afasta delegado e agentes da PCGO por esquema de desvio de cargas

Servidores da Decar são investigados por suposto desvio de produtos avaliados em R$ 1,4 milhão e venda clandestina de mercadorias apreendidas
Operação Depositário Infiel II apura suposta divisão de valores com o depositário informal Silvio Dutra durante gestão do delegado investigado na Decar // Foto: Reprodução

O 1º Juízo das Garantias de Goiânia determinou o afastamento cautelar por 90 dias do delegado Alexandre Bruno de Barros, do escrivão Sílvio Pereira de Macedo e do agente Antônio Gomes de Assis Sobrinho. A decisão atinge os três servidores da Polícia Civil de Goiás (PCGO) por condutas apuradas no período em que atuavam na Delegacia Estadual de Repressão a Furtos e Roubos de Cargas (Decar), investigados por envolvimento em um esquema de desvio, alienação clandestina e venda de mercadorias e veículos apreendidos.

A decisão judicial impôs ainda o recolhimento das armas, distintivos e carteiras funcionais, além do bloqueio dos acessos aos sistemas de inteligência da corporação e a proibição de acesso às repartições policiais. O afastamento temporário não suspende a remuneração dos servidores.

De acordo com o Ministério Público de Goiás (MPGO), o ponto de partida das apurações foi o desvio de uma carga de vergalhões de aço avaliada em R$ 1,4 milhão, apreendida durante a Operação Fogo Amigo, em 2021. As investigações apontam que o lote foi encaminhado sem respaldo legal para o galpão do empresário Silvio Dutra, conhecido como Carioca, apontado como depositário informal da Decar.

O MPGO sustenta que o empresário exercia papel central na logística e na operacionalização financeira do grupo, armazenando e revendendo os produtos no mercado informal sem controle estatal. Os valores obtidos com as vendas ilegais eram divididos entre Carioca e os policiais.

Mensagens encontradas no celular do empresário confirmam a comercialização das mercadorias para compensar custos de armazenamento. O processo reúne ainda o relato de que R$ 200 mil em espécie teriam sido repassados ao delegado para a aquisição de um imóvel, além de indícios de falsificação de documentos oficiais, uso de boletins de ocorrência fraudulentos e ameaças a testemunhas.

Policiais civis investigados por suspeita em desvio de cargas apreendidas em Goiás

Em nota divulgada nesta quarta-feira (2/9), a Polícia Civil informou que a Corregedoria instaurou procedimento em sigilo para apurar as condutas no âmbito da Operação Depositário Infiel II e confirmou o cumprimento integral de todas as medidas cautelares expedidas pelo Judiciário.

Defesas alegam falta de espaço na delegacia e negam irregularidades

O delegado Alexandre Bruno afirmou que o envio de cargas a depósitos particulares ocorria devido à falta de espaço físico na Decar e que todas as entregas possuíam procuração das vítimas. O investigador negou qualquer participação em eventuais desvios, refutou a ocorrência de ameaças e declarou que não adquiriu imóvel em condomínio.

As defesas do escrivão Sílvio Pereira e do agente Antônio Gomes declararam que seus clientes estão tranquilos e confiam na Justiça, colocando os sigilos fiscais à disposição da Corregedoria. A defesa do empresário Silvio Dutra informou que se manifestará exclusivamente no decorrer do processo judicial.

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