A Prefeitura de Goiânia deu mais um passo nas ações de reorganização da infraestrutura urbana e de preservação ambiental ao destinar para reciclagem mais de 110 toneladas de fios e cabos retirados dos postes da capital durante as operações do Programa Cidade Segura. O material, que estava armazenado no pátio da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra), passou a integrar a cadeia de reaproveitamento por meio de cooperativas de reciclagem cadastradas pelo município.
A iniciativa é coordenada pela Agência de Regulação de Goiânia (AR) e integra uma força-tarefa desenvolvida em parceria com o Ministério Público de Goiás, a Equatorial Goiás e empresas de telefonia e internet. Desde o início da operação, em outubro de 2025, foram retiradas 110,7 toneladas de cabos e materiais sem utilização, distribuídos em 4.396 postes localizados em todas as regiões da cidade.
A entrega simbólica do material foi realizada no pátio da Seinfra, na Vila Santa Helena, beneficiando inicialmente a Cooper Rama – Cooperativa de Reciclagem. Segundo a presidente da cooperativa, Dulce Helena do Vale, os resíduos seguem para processamento em uma indústria especializada no estado de São Paulo.
“Essa doação é muito importante para as cooperativas porque já comercializamos o material direto com a indústria, aumentando a renda do cooperado no fim do mês e, ao dar a destinação correta, ainda ajudamos na questão de preservação do meio ambiente”, afirmou Dulce Helena.
Atualmente, a associação das cooperativas reúne 21 cooperados cadastrados junto à Prefeitura de Goiânia, fortalecendo a geração de renda e a economia circular por meio da reciclagem de materiais que antes permaneceriam armazenados ou descartados inadequadamente.
O presidente da Agência de Regulação de Goiânia, Hudson Novais, destacou que a iniciativa busca aliar organização urbana, responsabilidade ambiental e inclusão social.
“Beneficiamos os cooperados cadastrados e resolvemos a destinação desse material retirado nas ações da Operação Cidade Segura”, ressaltou.
Operação Cidade Segura retira cabos inutilizados, clandestinos ou abandonados
Criada por determinação do prefeito Sandro Mabel, a Operação Cidade Segura concentra esforços na retirada de cabos inutilizados, clandestinos ou abandonados que comprometem a paisagem urbana e representam riscos à população.
Desde o lançamento do programa, equipes já realizaram intervenções em importantes corredores viários da capital, entre eles as avenidas T-63, Mangalô, 24 de Outubro, 85, Bernardo Sayão, Marechal Rondon e Senador Jaime.
Nesta semana, uma nova frente de trabalho foi iniciada no Setor Aeroporto, dando continuidade ao cronograma de retirada de fios excedentes e reorganização da rede aérea, com foco na segurança de pedestres e motoristas.
Apesar dos avanços, Hudson Novais alerta que o problema ainda exige fiscalização permanente devido à recorrência da instalação irregular de novos cabos pelas empresas prestadoras de serviço.
“Infelizmente, a gente faz a limpeza numa certa região, numa certa avenida, e três meses depois a gente volta lá e a situação está acontecendo de novo. Para evitar isso, estamos criando novos instrumentos e uma nova metodologia de trabalho”, explicou.
CEI dos fios soltos
Entre as propostas discutidas pela administração municipal está a criação de uma legislação que obrigue as empresas de telefonia e internet a identificar seus cabos com nome e CNPJ, facilitando a fiscalização e a responsabilização em casos de irregularidades.
“Na CEI dos fios soltos, em andamento na Câmara Municipal de Goiânia, vamos propor que se crie uma lei para que as empresas de telefonia coloquem no próprio fio o nome da empresa com CNPJ, para melhorar na identificação dos mesmos. Desta forma, a fiscalização pode agir de forma mais assertiva e rápida, evitando problemas como estes equipamentos”, completou Hudson Novais.
Além de melhorar a organização da rede aérea e reduzir riscos de acidentes, a destinação ambientalmente correta dos cabos reforça o compromisso da gestão municipal com a sustentabilidade, transformando resíduos retirados das ruas em matéria-prima para novos processos industriais e fortalecendo o trabalho das cooperativas de reciclagem da capital.

