Hoje é 29 de outubro de 2026 04:39

Márcio Corrêa critica ‘juros de agiota’ herdados de gestão anterior em Anápolis

Prefeito apontou prejuízos de empréstimos em andamento e anunciou pacote de ações e investimentos após município conquistar nota B na Capag
Prefeito Márcio Corrêa detalha plano de austeridade fiscal e anuncia pacote de investimentos durante coletiva em alusão ao mês de aniversário de Anápolis // Foto: Paulo de Tarso/Pref. Anápolis

Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (30/6), em alusão ao mês de aniversário de Anápolis, o prefeito Márcio Corrêa (PL) adotou um tom fortemente político e analítico ao traçar um diagnóstico severo sobre a herança fiscal do município. Sem citar nominalmente o ex-prefeito Roberto Naves, Corrêa classificou o antigo programa de obras “Anápolis Investe” como o maior estelionato da história da cidade, apontando que a gestão passada contraiu um montante bilionário sob condições financeiras predatórias que inviabilizaram o caixa municipal por meses.

De acordo com o chefe do Executivo, o contrato anterior gerou uma dívida acumulada de R$ 1,7 bilhão, indexada a juros abusivos que chegavam a bater a casa dos 3% ao mês devido à falta de credibilidade do município no mercado à época. O impacto direto desse endividamento no dia a dia da população se traduz em parcelas mensais que superam os R$ 20 milhões, tendo forçado a atual administração a desembolsar cerca de R$ 300 milhões unicamente para o pagamento de encargos e juros desde que assumiu o mandato.

“Esse empréstimo irresponsável de R$ 1,7 bilhão tirou boa parte de nossa capacidade de investimento. Para a população entender, é como se estivéssemos pagando juros de agiota. Desde que assumimos, pagamos quase R$ 300 milhões somente em juros. Agora, depois de muito controle das contas, vamos poder renegociar essa dívida”, informou o prefeito.

Além do estrangulamento financeiro, Márcio Corrêa denunciou o abandono do planejamento urbano e de infraestrutura, revelando que mais de 30 das 50 obras prometidas pelo antecessor foram deixadas completamente inacabadas, mesmo com os recursos previstos já totalmente esgotados. O prefeito relembrou que a reestruturação exigiu auditorias severas no primeiro dia de governo, resultando na rescisão de contratos considerados superfaturados, a exemplo de um sistema de software de R$ 7 milhões anuais operado por um grupo sob investigação policial.

Para reverter o cenário de paralisia, Corrêa aproveitou o aniversário da cidade para anunciar um plano de metas estruturantes até 2028, focado na retomada de creches com equipes próprias e no início do Centro de Diagnóstico e Imagem 24 horas no antigo Ipasgo. Na mobilidade, o prefeito confirmou o cancelamento do projeto bilionário da Ponte Estaiada por falta de licenciamento ambiental e excesso de custos. A ligação entre as regiões será resolvida por uma estrutura convencional orçada em R$ 10 milhões, gerando uma economia de 90% que será revertida em pavimentação para 23 bairros periféricos.

“Nós vamos fazer aquela interligação lá com menos de 10% do valor que foi previsto para a Ponte Estaiada, que foi feita sem nenhuma concepção ambiental”, garantiu.

O pacote de investimentos também engloba tratativas com a Infra S.A. para antecipar o complexo viário do Trevo da Havan para 2027, além de R$ 400 milhões garantidos via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a cobrança da universalização do esgoto junto à Saneago.

Na vertente socioeconômica, o município lançará os programas “Anápolis Emprega” e “Primeira Chance”, ofertando milhares de vagas de trabalho e jovem aprendiz, paralelamente à mudança do centro administrativo municipal para o Centro da cidade visando a revitalização do comércio local.

“O maior programa social no Estado é poder oferecer oportunidade, oferecer trabalho, porque o trabalho dignifica a pessoa”, frisou.

Austeridade fiscal garante nota B na Capag e abre caminho para renegociação

A virada de página financeira de Anápolis foi chancelada pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) com a elevação do município para a nota B na Capacidade de Pagamento (Capag). A conquista, celebrada pela atual gestão como o principal marco fiscal dos últimos 16 meses, funciona, segundo Márcio Corrêa, de maneira prática como uma saída do município do Serasa, dando o fôlego político e jurídico que o Executivo precisava para renegociar o contrato bilionário herdado da administração Roberto Naves sob juros menores.

A mudança de patamar foi sustentada por uma reviravolta nas contas públicas apresentada pela Secretaria de Economia, que reverteu um déficit primário de R$ 270 milhões registrado no terceiro quadrimestre de 2024 em um superávit de R$ 194 milhões no primeiro quadrimestre de 2026. A recuperação do índice de liquidez e poupança corrente ocorreu após o corte de 47% nos gastos com combustíveis, redução de 61% em contratos de tecnologia e a diminuição de 20,46% no quadro de servidores comissionados.

Com o selo de bom pagador e o aval garantido da União, Anápolis recupera o acesso a linhas de crédito e financiamentos de fomento com taxas subsidiadas junto a instituições nacionais e internacionais. Administração municipal aponta que essa nova capacidade de captação será o motor para subsidiar os novos projetos de grande porte nas áreas de transporte público, saúde e educação, sem comprometer de forma nociva as receitas correntes do município.

Além do impacto direto nas obras públicas, a validação do Tesouro Nacional serve como um forte indicador de segurança institucional para a atração de investimentos privados. O entendimento da administração municipal é de que a transparência fiscal e o equilíbrio das contas atuam como um chamariz para a instalação de novas indústrias e empresas na região, consolidando Anápolis como o terceiro maior polo econômico de Goiás com forte geração de emprego e renda estável.

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