O Ministério Público de Goiás (MPGO), por meio do Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público (Gaepp), deflagrou nesta terça-feira (11/8) a Operação Simulatio para desarticular um suposto “consórcio ilícito de empresários” acusado de fraudar licitações e atas de adesão em diversas prefeituras e órgãos estaduais. O órgão saiu à rua para executar prisão preventiva de três investigados — com ao menos uma confirmação de prisão efetuada —, afastamento de quatro servidores públicos e para cumprir 44 mandados de busca e apreensão.
Durante as diligências, equipes policiais e do MP apreenderam celulares, computadores, contratos e valores em espécie nas residências e sedes dos alvos, somando mais de R$ 66 mil em moeda nacional e dois mil euros.
Segundo as apurações, o grupo era composto por cinco empresários e tinha como figura central Mário César de Paula, sócio-administrador da César Sistemas Construtivos Ltda. O esquema utilizava orçamentos fictícios e com sobrepreço na fase interna dos processos licitatórios para direcionar as vitórias e facilitar “caronas” em atas de registro de preços.
Entre 2015 e 2025, a empresa investigada celebrou contratos com administrações municipais e com o governo estadual que somaram R$ 273 milhões. Desse total, R$ 88 milhões correspondem a obras e entregas efetivadas, enquanto o Ministério Público calcula que o dano ao erário e o enriquecimento ilícito do grupo alcancem R$ 14 milhões.
As apurações apontam atuação do grupo em processos e atas nos municípios de Rio Verde, Itumbiara, Itaberaí, Goianira, Abadia de Goiás, Uruaçu, Inhumas, Luziânia, Goianésia e Rio Quente.
Contratos sob suspeita no interior e em órgãos estaduais
Entre os contratos analisados está uma licitação de 2022 da Prefeitura de Itumbiara para a aquisição de 75 salas modulares em contêineres, no valor de quase R$ 8 milhões. O Serviço de Inteligência do MPGO identificou um sobrepreço estimado em R$ 3 milhões na negociação.
A investigação também alcança dois contratos firmados entre 2022 e 2025 com a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra). No valor de R$ 721 mil, as avenças visavam o fornecimento de módulos para a Polícia Rodoviária Estadual durante festas religiosas em Trindade e Muquém.
Veja o que dizem os citados
A Prefeitura de Itumbiara informou que firmou contrato em 2022 para 10 salas de aula modulares, afirmando que todas foram entregues, estão em funcionamento, o processo correu dentro da regularidade e o município colabora com as investigações.
A Prefeitura de Rio Quente confirmou o recolhimento de documentos relativos a um contrato de 2025 para quatro salas modulares, ressaltando que a avença foi totalmente executada e encerrada, sem nenhum servidor municipal investigado.
A Goinfra esclareceu que a operação não envolve contratos de obras públicas, mas sim uma adesão de ata realizada em 2022 cuja licitação de origem não foi de sua responsabilidade, reeditando seu compromisso com a transparência.
A Prefeitura de Rio Verde, que teve mandado cumprido no Paço Municipal, informou por meio do procurador do município que a gestão não é o alvo principal, mas sim a empresa investigada. O município destacou que firmou 25 contratos entre 2018 e 2025 para as secretarias de Educação e Assistência Social via pregão eletrônico, sem indícios de direcionamento, colocando todos os processos à disposição das autoridades.
A César Sistemas Construtivos Ltda., localizada no Parque Industrial Vice-Presidente José Alencar, em Aparecida de Goiânia, não se manifestou até o momento.
O Ministério Público analisa todo o material recolhido e apresentará novos detalhes sobre os desdobramentos da operação.

