O Ministério Público de Goiás (MPGO) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (26/8), a Operação Safra Oculta para desarticular uma organização criminosa suspeita de sonegação fiscal no comércio interestadual de grãos. As investigações apontam que o grupo utilizava empresas de fachada para fraudar o recolhimento de impostos, acumulando mais de R$ 90 milhões em débitos de ICMS não pagos.
A ação é cumprida em municípios de Goiás, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso e Bahia. Ao todo, a 2ª Vara de Garantias de Goiânia expediu nove mandados de prisão preventiva e 13 de busca e apreensão. Entre os alvos da operação estão três contadores investigados por atuar diretamente na estruturação e na manutenção do esquema.
Conduzida pelas 59ª e 86ª Promotorias de Justiça de Goiânia, especializadas na defesa da ordem tributária, a apuração revelou a criação de empresas “noteiras” registradas em nome de “testas de ferro” com patrimônio incompatível. Essas companhias emitiam documentos fiscais falsos para ocultar os reais beneficiários das transações de grãos, sendo que uma delas chegou a movimentar quase R$ 200 milhões em um curto período.
Os desdobramentos da operação vão alcançar também produtores rurais e empresários que teriam contratado a estrutura fraudulenta para sonegar tributos. Além da sonegação fiscal, a força-tarefa investiga os crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O material apreendido passará por análise técnica para a elaboração das denúncias criminais no prazo legal. O MPGO ressaltou que as ações possuem caráter investigativo e que o direito ao contraditório e à ampla defesa será garantido a todos os envolvidos.
A Operação Safra Oculta conta com o apoio do Gaeco e do Cira-GO, além da Secretaria da Economia e das polícias Civil e Militar de Goiás. A mobilização nos demais estados é integrada pelos Gaecos de Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso, e pelo Gaesf do Ministério Público da Bahia.

