A Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) prendeu em flagrante, nesta terça-feira (20/10/2026), uma mulher investigada por fornecer medicamentos e insumos estéticos sem registro sanitário a uma fisioterapeuta na capital. A ação foi deflagrada pela 7ª Delegacia Distrital de Polícia de Goiânia (Jardim América), com apoio do Grupo Especial de Investigações Criminais (Geic), durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão.
No local, os agentes apreenderam toxinas botulínicas, ampolas injetáveis, seringas e outros produtos cuja comercialização é proibida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao ser questionada sobre a procedência do material, a investigada admitiu ter adquirido as substâncias no Paraguai, sem a apresentação de notas fiscais ou comprovação de regularidade sanitária.
As apurações demonstraram que a fornecedora mantinha negociações diretas de compra, estoque, precificação e logística de entrega de produtos importados ilegalmente. Diante disso, a suspeita foi autuada pelo crime de comercialização e manutenção em depósito de produtos medicinais sem o devido registro sanitário.
A operação representa um desdobramento direto das investigações sobre a atuação de uma fisioterapeuta na capital. Com o avanço das diligências, o número de vítimas identificadas subiu para 24 pessoas, sendo que duas mulheres continuam internadas devido à gravidade dos ferimentos sofridos após os procedimentos.

Todo o material apreendido nesta nova etapa passará por perícia técnica para atestar a composição química, autenticidade e condições de armazenamento. A Polícia Civil segue investigando para determinar se outros fornecedores participavam do esquema de abastecimento clandestino na região.
Fisioterapeuta executava cirurgias e causou mutilações em pacientes
O histórico do caso remonta ao dia 21 de setembro, quando a Polícia Civil prendeu preventivamente, também em Goiânia, a fisioterapeuta Magda Oliveira da Silva por realizar procedimentos cirúrgicos invasivos não autorizados. A investigação apontou que a profissional extrapolou suas atribuições ao realizar cortes com bisturi, remoção de tecidos e prescrição de medicamentos em salas comerciais sem alvará.
Sobre a gravidade dos atendimentos, que resultaram em infecções e mutilações, o delegado Alex Rodrigues detalhou a atuação ilegal da investigada. “Identificamos sete vítimas, algumas delas tiveram lesões gravíssimas nas partes íntimas. Ela não tem autorização dos órgãos responsáveis para realizar esse tipo de procedimento, que é inclusive um procedimento cirúrgico”, enfatizou o delegado.
Em nota emitida pela assessoria jurídica, a defesa de Magda Oliveira da Silva informou que a fisioterapeuta está à disposição da Polícia Civil e do Judiciário para prestar esclarecimentos e apresentar laudos técnicos. A defesa reforçou a confiança na inocência da investigada, destacando que a regularidade de sua conduta será comprovada ao longo das perícias, além de pedir cautela contra ilações prematuras.

