A Polícia Federal (PF), em ação conjunta com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou na manhã desta terça-feira (3/11) a Operação Corrente Reversa para apurar um esquema de fraudes em licitações e contratos administrativos na Prefeitura de Aragarças, no oeste de Goiás. A investigação mira o direcionamento de concorrências públicas voltadas prioritariamente a obras e serviços de engenharia no município.
Ao todo, os agentes cumprem cinco mandados de busca e apreensão e ordens de busca pessoal expedidas pela Justiça. As diligências ocorrem simultaneamente em residências de investigados, sedes de empresas e repartições administrativas do Poder Executivo municipal em Aragarças, além das cidades mato-grossenses de Pontal do Araguaia, Cuiabá e Salto do Céu.
De acordo com as apurações conduzidas pela PF e pela CGU, empresas formalmente independentes operavam de maneira coordenada para simular competitividade. As companhias, que compartilhavam representantes e endereços em comum, alternavam-se estrategicamente nos procedimentos licitatórios para assegurar o direcionamento das contratações públicas.
Os investigadores também identificaram indícios de sobrepreço e a utilização de uma empresa de fachada sem capacidade operacional física ou de pessoal para executar os serviços contratados. Parte expressiva dos acordos sob suspeita envolvia verbas federais repassadas ao município, razão pela qual a CGU atuou no mapeamento do fluxo financeiro e na auditoria das contratações.
Os documentos, mídias e materiais recolhidos durante as ordens judiciais serão submetidos a perícia para embasar novas diligências e fundamentar ações voltadas à recuperação dos prejuízos causados aos cofres públicos. Conforme a gravidade e o grau de participação individual, os envolvidos poderão responder pelos crimes de frustração do caráter competitivo de licitação e fraude em licitação ou contrato.
Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Aragarças não havia se manifestado sobre a operação.

