Embalada pelas cores verde e amarelo, buzinaço e sede lotada no Setor Oeste, em Goiânia, a convenção do PL oficializou, nesta segunda-feira (3/8), o nome do senador Wilder Morais na disputa pelo Governo de Goiás. O evento, que também homologou a empresária Ana Paula Rezende como vice e Gustavo Gayer e Oséias Varão ao Senado, ficou marcado pela tentativa da sigla de transformar a eleição estadual em uma extensão da polarização nacional.
Apesar da oficialização da chapa majoritária e dos nomes para a Câmara e Assembleia Legislativa, o personagem central da noite esteve presente apenas em uma tela de vídeo: o senador Flávio Bolsonaro, candidato do partido à Presidência da República. Ele discursou à militância pedindo a união da direita para ampliar as bancadas no Congresso.
Ao direcionar sua fala ao presidenciável, o próprio Wilder deixou evidente a prioridade estratégica adotada pelo PL goiano nesta arrancada inicial.
“O nosso compromisso, Flávio, é levar seu nome aos quatro cantos do estado. Em primeiro lugar eu vou defender você, depois vou defender o nosso estado de Goiás”, declarou Wilder Morais.
A postura alinha-se ao discurso do deputado federal Gustavo Gayer, candidato ao Senado em coligação com o Partido Novo — que indicou Leonardo Rizzo e Telêmaco Brandão para as suplências. Para Gayer, a eleição estadual funciona como braço de um projeto maior.
“O antilulismo é uma das forças mais predominantes na política hoje. Essa eleição é um plebiscito entre miséria, censura e liberdade. Vamos fazer a maioria no Senado e salvar esse Brasil”, afirmou Gustavo Gayer.

No entanto, a estratégia reflete uma clara opção de risco: ao priorizar o ataque ao governo federal e a alavancagem de Flávio Bolsonaro, a aliança mobiliza a militância conservadora do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas reduz drasticamente o espaço para o debate de propostas específicas para a realidade local. Problemas de infraestrutura, saúde e desenvolvimento econômico do estado acabaram empurrados para o segundo plano.
Ainda assim, ao longo dos discursos, os pré-candidatos buscaram acenar ao eleitorado goiano ao relembrar trajetórias pessoais e defender avanços administrativos.
“Cheguei a Goiânia sem nada. Sei que ainda há pessoas enfrentando filas nos hospitais e esperando por remédio. Cuidar da saúde e garantir desenvolvimento com emprego e renda serão prioridades do nosso governo”, prometeu Wilder.
Ressaltando a aliança, o pré-candidato ao governo acenou à sua companheira de chapa.
“Ana, muito obrigado por aceitar esse desafio com o coração. Caminhem comigo, eu nunca vou decepcionar vocês”, disse Wilder Morais.
Oriunda do MDB histórico, Ana Paula Rezende enfatizou a manutenção das políticas públicas do estado.
“Honestidade e cuidar do povo sempre serão atuais. A segurança pública não pode retroceder. Vamos abrir as portas do Palácio e trabalhar pelo futuro”, declarou a filha do ex-governador Iris Rezende.
Valdemar: ‘Wilder é mais que um exemplo de trabalho, é um exemplo de vida’
Presente no evento, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, fez questão de respaldar publicamente a escolha da chapa e a condução do pleito em Goiás.
“Wilder é mais que um exemplo de trabalho, é um exemplo de vida. Não tenho dúvida de que aqui está quem vai melhorar a vida dos goianos”, defendeu Valdemar Costa Neto.
A aliança do PL com o Partido Novo para as vagas ao Senado também foi comemorada pelos parceiros de coligação durante o ato.
“Wilder e Ana Paula são as pessoas preparadas e que sabem trabalhar para melhorar Goiás”, afirmou o presidente estadual do Novo, Alano Queiroz.
O evento contou ainda com manifestações do ex-presidente da Assembleia Legislativa, Lissauer Vieira, e do candidato ao Senado Oséias Varão.
“Neste grupo forte, com Oséias Varão, Gustavo Gayer, Wilder Morais e Flávio Bolsonaro, vamos construir um estado desenvolvido, atendendo a realidade de cada região e direcionando recursos aos municípios conforme suas vocações econômicas”, afirmou Lissauer Vieira.
Partido tenta inserir ideologia nacional à agenda regional
A convenção do PL escancarou a tática adotada pela oposição de direita em Goiás: nacionalizar ao máximo a disputa do Palácio das Esmeraldas. Ao priorizar a defesa ostensiva da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e focar a retórica no antilulismo, o partido busca converter a forte rejeição ao governo federal no estado em votos para Wilder Morais e para a sua chapa ao Senado.
Essa estratégia atua como um combustível poderoso para engajar e mobilizar a militância bolsonarista mais convicta. Por outro lado, cria um teto perigoso para o crescimento da candidatura. Ao declarar que sua prioridade é defender o projeto nacional “antes do estado de Goiás”, Wilder corre o risco de se distanciar das demandas do eleitor pragmático, que vota motivado por soluções para a segurança, educação e gargalos da saúde pública estadual.
Outro desafio imediato da chapa será equilibrar a convivência de grupos divergentes dentro da própria direita local. As farpas trocadas entre lideranças conservadoras no estado mostram que a unidade cobrada por Flávio Bolsonaro no vídeo ainda é frágil.
Embora o discurso do “todos juntos no segundo turno contra a esquerda” seja o norte adotado, até lá o PL precisará provar que sua chapa possui densidade para debater os problemas reais de Goiás, e não apenas replicar o palco da polarização de Brasília.

