O prefeito de São Simão, Wallison Freitas (Podemos), foi preso na manhã desta quarta-feira (24/6) durante a Operação Carreta Ardilosa, deflagrada pela Polícia Civil de Goiás. A ação investiga um esquema de fraudes em licitações, desvio de dinheiro público e irregularidades em contratos de serviços médicos fechados em 2023 por meio de unidades móveis de saúde.
Segundo a Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Dercap), os contratos sob suspeita movimentaram quase R$ 1,3 milhão. Os investigadores apontam que houve direcionamento da licitação, sobrepreço e cobranças em duplicidade por consultas e exames. Além disso, a polícia identificou indícios de que parte dos serviços oftalmológicos pagos pela prefeitura nunca foi realizada.
A operação cumpriu 23 medidas judiciais, incluindo nove mandados de busca e apreensão em São Simão, Alvorada do Norte, Nova Veneza e Goiânia. A Justiça também autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico dos investigados.
Embora o foco da operação fossem os crimes contra a administração pública, o prefeito acabou sendo preso em flagrante por posse ilegal de arma de fogo. Os agentes encontraram duas armas na residência do político durante o cumprimento dos mandados de busca. Após os procedimentos legais, ele foi encaminhado ao sistema prisional e, até o fechamento desta edição, encontrava-se preso na Unidade Prisional de Quirinópolis.
Em nota, a defesa de Wallison Freitas informou que ainda não teve acesso integral ao procedimento policial e que desconhece os elementos que embasaram a investigação, mas afirmou confiar plenamente na inocência do prefeito em relação às suspeitas de fraudes.
Sobre a prisão pelas armas de fogo, os advogados alegaram que os itens pertenciam ao pai de Wallison, um policial militar aposentado que faleceu recentemente. A defesa assegurou que essa situação será devidamente comprovada e esclarecida perante as autoridades competentes ao longo das apurações.
Confira íntegra da nota da defesa
“A defesa de Wallisson José de Freitas informa que, até o presente momento, não teve acesso integral ao procedimento policial, razão pela qual não possui conhecimento detalhado dos elementos que embasaram a investigação ocorrida nesta data.
Não obstante, a defesa reafirma sua absoluta confiança na inocência do Sr. Wallisson José de Freitas em relação às imputações relacionadas a supostos crimes contra a Administração Pública, destacando que os fatos serão devidamente esclarecidos no curso da investigação, oportunidade em que será demonstrada a inexistência de qualquer conduta ilícita praticada por seu constituinte.
Quanto à suposta posse irregular de arma de fogo, esclarece-se, desde já, que as armas encontradas pertenciam ao pai do investigado, policial militar aposentado, falecido recentemente, circunstância que será devidamente comprovada e esclarecida perante as autoridades competentes.
A defesa confia na Justiça e que a apuração técnica, imparcial e baseada em provas permitirá o completo esclarecimento dos fatos, resguardando-se a presunção de inocência, garantia fundamental assegurada pela Constituição Federal.”

