O PSD confirmou neste domingo (26/7) a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado à Presidência da República durante convenção nacional realizada no bairro Bela Vista, em São Paulo. Em uma chapa “puro-sangue”, o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, foi indicado como candidato a vice-presidente. Esta é a primeira vez, desde a fundação da sigla em 2011, que o partido lança um nome próprio ao Palácio do Planalto.
Ao subir ao palco diante de militantes e aliados, Caiado adotou um tom duro contra o cenário de divisão no país e defendeu que a eleição de 2026 será a mais importante da história recente. O ex-governador afirmou que não disputa o pleito por vaidade e criticou o desgaste das instituições e a falta de confiança da população nos políticos.
“É uma eleição que, podemos tranquilamente dizer, que será a mais importante da história deste país”, afirmou Caiado, acrescentando que não tem nada a esconder e “muito para mostrar”.
“Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Gilberto Kassab, que enfrentou todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e que não teria mais nenhum candidato fora da polarização”, completou o ex-governador.
Caiado voltou a atacar a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, classificando as divergências entre ambos como “inúteis” e movidas por poder. O candidato declarou que a eleição não deve ser decidida por quem tem a maior rejeição, mas sim por quem apresenta resultados concretos para a sociedade.
“Não é possível que o Brasil vá querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional. Eleição não é de rejeitados. É de quem traz resultado para a sociedade brasileira. Saímos do governo do Estado com 88% de aprovação”, destacou.

O evento contou com participação dos governadores Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) e Ratinho Júnior (Paraná), que anteriormente pleiteavam a indicação e agora declararam apoio ao projeto. Leite prometeu estruturar um palanque forte para a chapa no Sul, enquanto Ratinho Júnior afirmou de forma contundente que o goiano é o nome certo para colocar o Brasil nos eixos. Por outro lado, o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) evitou constrangimentos com o aliado Flávio Bolsonaro e declinou do convite, enviando apenas um representante.
Questionado durante o encontro sobre a estratégia para o segundo turno, Caiado descartou a hipótese de apoiar outros nomes conservadores e cravou que será ele próprio o adversário de Lula na fase final da disputa. Com o encerramento da convenção, o PSD tem até o dia 15 de agosto para registrar a candidatura e o plano de governo na Justiça Eleitoral.
Ex-governador eleva tom contra Flávio Bolsonaro para marcar campo na direita
Ao longo das últimas semanas, Ronaldo Caiado intensificou os ataques diretos a Flávio Bolsonaro, seu principal adversário pelo eleitorado conservador. O ex-governador rejeitou publicamente a tentativa do senador de se apresentar como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro, disparando que “liderança você não herda, liderança você cria”.
O candidato do PSD também fez duras críticas a declarações recentes do parlamentar do PL perante o meio diplomático. Ao comentar a reunião em que Flávio levantou suspeitas infundadas sobre as urnas eletrônicas para embaixadores estrangeiros, Caiado destacou que a ocasião deveria ter sido usada para atrair investimentos e abrir mercado para a indústria brasileira.
Além do embate conceitual, o ex-governador passou a ironizar desentendimentos internos na família do rival. Em declarações recentes à imprensa, Caiado chegou a comparar publicamente as divergências entre Flávio e Michelle Bolsonaro a um programa de televisão sobre conflitos familiares.
A postura combativa busca furar a bolha de desconhecimento fora do Centro-Oeste e quebrar a tese de voto útil do eleitorado conservador. Diante do isolamento partidário após siglas como União Brasil e PP optarem pela neutralidade, o PSD acelerou as inserções de TV para fazer o candidato romper a barreira de um dígito nas pesquisas e garantir vaga no segundo turno.

