A Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) oficializou no sábado (1º/8), em Goiânia, a candidatura do ex-deputado Luís César Bueno (PT) ao Governo de Goiás, tendo o advogado Carlos Mundim (PDT) como vice. A homologação da chapa consolida o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado, mas reflete uma mudança de estratégia da esquerda: ao optar por Luís César, o PT tenta marcar território no eleitorado goiano sem expor de imediato seus quadros eleitoralmente mais competitivos na disputa majoritária.
Realizada no Clube SindSaúde, a convenção reuniu lideranças que compõem a recém-formada Frente Democrática — bloco que reúne a Federação Brasil da Esperança, a Federação PSOL-Rede, o PDT e o PSB. O arranjo amplo busca dar densidade política a uma candidatura que enfrenta o desafio de furar a hegemonia conservadora no estado. Em seu discurso, Luís César rebateu a tese de inoperância da esquerda em Goiás e adotou um tom de resgate histórico.
“Há quem diga que progressista não se cria em Goiás, mas o PT já governou Goiânia por quatro mandatos”, declarou o candidato, citando as gestões de Darci Accorsi, Pedro Wilson e Paulo Garcia.
Além de rebater críticas, o prefeitável petista defendeu pautas voltadas ao desenvolvimento econômico, geração de empregos e fortalecimento de serviços públicos, prometendo percorrer todas as regiões goianas.
“Vamos fortalecer nossa esperança, debater com o povo goiano as entregas do presidente Lula em nosso estado e mostrar o nosso trabalho sério. A boa política vence o atraso, e nós só vamos crescer mais e mais”, afirmou Luís César.
Contudo, os bastidores da convenção deixaram transparecer as amarras da aliança. A definição das candidaturas ao Senado foi formalmente adiada. A hesitação expõe a complexidade das negociações nacionais e a dificuldade do grupo em encontrar nomes de consenso capazes de encarar a disputa majoritária contra a forte base governista local.
Frente Democrática prioriza chapas proporcionais para ampliar bancadas
Paralelamente ao lançamento da chapa majoritária, a convenção oficializou a estratégia central do grupo progressista em Goiás: priorizar o fortalecimento das bancadas no Legislativo. A articulação visa garantir sobrevivência política e capilaridade partidária, destinando a maioria de seus puxadores de voto para a Assembleia Legislativa (Alego) e a Câmara dos Deputados.

A maior evidência dessa tática foi a confirmação da candidatura da deputada federal Adriana Accorsi (PT) à reeleição. Apontada originalmente como o nome favorito do Palácio do Planalto para disputar o Governo do Estado, Adriana preferiu pavimentar sua permanência em Brasília e liderar a montagem das chapas proporcionais.
“Formamos uma aliança histórica em Goiás. Vamos ampliar nossas bancadas e trabalhar para reeleger o presidente Lula no primeiro turno. É oficial: sou pré-candidata à reeleição para deputada federal!”, declarou Adriana Accorsi.
Além de homologar as chapas proporcionais da Federação Brasil da Esperança — com 42 candidatos a deputado estadual e 18 a deputado federal —, o ato confirmou a busca pela reeleição de nomes consolidados no estado, como os deputados estaduais petistas Bia de Lima e Mauro Rubem.
“Seguimos juntos, com coragem e compromisso, defendendo a democracia, a justiça social e os direitos do povo. Ao lado do presidente Lula, vamos continuar construindo um estado mais justo”, completou Mauro Rubem.

