Em visita a Goiás neste sábado (19/9), o secretário-executivo adjunto do Ministério da Saúde, Nilton Pereira Júnior, cumpriu agenda em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, para o lançamento do programa Carreta Oftalmológica. A iniciativa vai ofertar consultas, exames e cirurgias de catarata para moradores do município e de outras 40 cidades vizinhas.
Durante o evento, o gestor concedeu entrevista exclusiva ao Portal Notícias Goiás e detalhou os avanços do uso da tecnologia na saúde pública. Entre os destaques, apontou a expansão da telemedicina no SUS, o apoio psiquiátrico virtual pelo aplicativo Meu SUS Digital para dependentes de apostas eletrônicas (Bets) e o anúncio de novas unidades móveis equipadas com impressoras 3D para atendimento odontológico especializado.
Confira abaixo os principais trechos da entrevista:
Notícias Goiás: Como a telemedicina tem ajudado a levar atendimento a regiões distantes e de difícil acesso no país?
Nilton Pereira Júnior: A telemedicina resolve o acesso sem necessidade de deslocamento. Em Goiás, municípios como Araçu e Mara Rosa zeraram filas de especialidades com apoio do projeto feito em parceria com o Hospital Einstein. O estado é pioneiro, oferecendo consultas virtuais com mais de 10 especialidades dentro das próprias Unidades Básicas de Saúde (UBS). Também temos a oftalmologia do Cerof, da UFG, que laudamos retinografias para o Brasil inteiro. O Ministério da Saúde está apoiando os municípios com kits de computador e câmeras, além de abrir editais para contratar serviços privados e oferecê-los gratuitamente.
NG: E de que forma o cidadão pode acessar esses serviços diretamente no seu dia a dia?
Nilton Pereira: Já temos o serviço no aplicativo Meu SUS Digital. Oferecemos atendimento psiquiátrico virtual para quem sofre com o uso abusivo de apostas eletrônicas, as Bets, e para mulheres vítimas de violência, evitando a exposição de irem até uma unidade física. Mas vale ressaltar: a telemedicina não exclui a consulta presencial. A UBS precisa cobrir 100% da população, com mais ambulatórios e policlínicas.
NG: Neste Setembro Amarelo, como a saúde digital e a rede federal têm auxiliado na prevenção ao suicídio e no apoio às famílias?
Nilton Pereira: Ampliamos o teleatendimento nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e criamos canais diretos onde médicos e agentes comunitários ligam para pacientes em maior vulnerabilidade emocional. Financiamo-nos para que qualquer pessoa em sofrimento mental consiga atendimento imediato, presencial ou virtual. Qualquer sinal de alerta precisa ser valorizado para reduzirmos o número de suicídios no país.
NG: Na saúde bucal, a prevenção nas UBSs e nos centros especializados tem ajudado a identificar doenças graves como o câncer de boca precocemente?
Nilton Pereira: Com certeza. O programa Brasil Sorridente garantiu equipes de saúde bucal em praticamente todas as UBSs do país para fazer prevenção, orientações nas escolas e diagnóstico precoce, inclusive de câncer. Para casos complexos, como tratamento de canal e próteses gratuitas, temos os Centros de Especialidades Odontológicas (CEO).
NG: Quais são as novidades do Ministério da Saúde para ampliar esse atendimento odontológico nas regiões mais isoladas?
Nilton Pereira: Lançaremos em breve duas novas carretas de atenção especializada — uma de cardiologia e outra de saúde bucal — capazes de produzir próteses em impressoras 3D e realizar tratamentos de canal em áreas distantes. Além disso, retomamos o envio das Unidades Odontológicas Móveis, que são vans equipadas para levar o dentista até assentamentos, zonas rurais e comunidades quilombolas, como já fizemos em Cavalcante e outros municípios goianos.

