A Câmara Municipal de São Miguel do Araguaia cassou, em sessão realizada nesta segunda-feira (26/10), o mandato do prefeito Jerônymo José de Siqueira Neto (MDB). A decisão foi aprovada por nove votos a dois após os vereadores acolherem as cinco infrações apontadas no processo. A sessão foi pública e teve seu resultado formalizado pelo Decreto Legislativo nº 3/2026 às 13h49.
A apuração teve início a partir da denúncia de um eleitor sobre a redução nos repasses do duodécimo à Câmara e atrasos nos salários dos servidores. De acordo com o Sindicato dos Servidores, a folha de março foi quitada apenas em 22 de abril, descumprindo a Lei Orgânica local. O Ministério Público de Goiás chegou a emitir recomendação para a regularização dos pagamentos.
Sobre o duodécimo, documentos da tesouraria da Casa demonstraram que o município deveria ter transferido R$ 4,39 milhões entre janeiro e julho de 2026. No entanto, foram repassados R$ 3,47 milhões no período, gerando uma diferença acumulada de R$ 916,1 mil. A Câmara informou que enviou quatro ofícios cobrando os valores, mas não obteve resposta oficial.
Mesmo intimado, o gestor optou por não comparecer à sessão de julgamento na Câmara. A defesa do prefeito tentou suspender o processo na Justiça, mas teve seis pedidos liminares negados em decisões da comarca local, do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás e do Supremo Tribunal Federal. Com a cassação, o vice-prefeito Natanael Martins Coelho (MDB) assumiu o comando do município em sessão solene.
Em publicações nas redes sociais, publicadas dois dias antes da cassação, Jerônymo Siqueira negou irregularidades, atribuiu os atrasos a dívidas de gestões anteriores e classificou o resultado como uma medida política. O gestor declarou que priorizou serviços essenciais, como transporte escolar, merenda e medicamentos, e afirmou que a folha salarial dos servidores já estava regularizada.
“O pedido de cassação do meu mandato não é por roubalheira, nem por desvio de dinheiro, e a população de São Miguel merece entender o que está acontecendo”, escreveu o ex-prefeito.
“Este mandato foi escolhido pelo povo, através do voto, merece respeito, e a vontade da população precisa ser preservada. Nenhum interesse particular político deve atropelar a vontade soberana da população”, complementou.
A declaração de vacância do cargo foi encaminhada à Justiça Eleitoral. O Legislativo de São Miguel do Araguaia informou que os autos do processo estão disponíveis para consulta pública e reafirmou o compromisso de colaborar com a nova gestão para garantir a continuidade dos serviços prestados à população.

