O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), apresentou nesta segunda-feira (26/10), à Comissão Mista da Câmara Municipal, os resultados financeiros da administração referentes ao segundo quadrimestre de 2026, de maio a agosto. O balanço aponta superávit de R$ 389 milhões no acumulado do ano e investimentos de R$ 663,3 milhões entre janeiro e agosto, valor mais de quatro vezes superior ao aplicado no mesmo período de 2025. Durante a prestação de contas, Mabel também anunciou obras de infraestrutura, expansão da rede de saúde e a elaboração de um Plano de Mobilidade para a capital.
O volume investido nos primeiros oito meses do ano já supera em 32,37% o total aplicado ao longo de 2025, quando os investimentos somaram R$ 501,1 milhões. Segundo o prefeito, a previsão é alcançar R$ 1 bilhão em investimentos até dezembro, o equivalente a aproximadamente 14% da receita líquida municipal.
“É importante olharmos o tamanho do investimento ao longo de 2026, que será de R$ 1 bilhão, o que representa em torno de 14% da nossa receita líquida”, afirmou Mabel. O prefeito acrescentou que, até agosto, o município havia investido mais do que nos anos de 2023 e 2024 somados.
Os números apresentados indicam que a receita realizada entre janeiro e agosto chegou a R$ 7,27 bilhões, enquanto as despesas liquidadas totalizaram R$ 6,88 bilhões. A diferença de R$ 389 milhões é inferior ao resultado de R$ 742,9 milhões registrado no mesmo período de 2025. Na comparação entre os segundos quadrimestres dos dois anos, a receita cresceu 9,4%, enquanto as despesas liquidadas avançaram 16,6%.
A Receita Corrente Líquida (RCL), indicador utilizado para avaliar a capacidade financeira do município, alcançou R$ 9,37 bilhões no acumulado de 12 meses, com alta de 8,59% em relação ao segundo quadrimestre de 2025. Já o resultado primário foi positivo em R$ 137,9 milhões, superando em R$ 5,2 milhões a meta anual de R$ 132,7 milhões.
Na área fiscal, o comprometimento das despesas com pessoal ficou em 45,58% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite de alerta de 48,6% previsto na legislação. O indicador também recuou 0,70 ponto percentual em relação ao primeiro quadrimestre deste ano.
Obras e investimentos previstos para Goiânia
Na infraestrutura, Mabel anunciou a construção de viadutos na Perimetral Norte e na entrada do Setor Nova Esperança, além da recuperação do asfalto em bairros de diferentes regiões da capital. O prefeito também mencionou uma intervenção viária no cruzamento da Perimetral Norte, na região do Setor Urias Magalhães, conhecido como Trevo do Gato Preto.
Na Saúde, a administração prevê a construção de 32 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e oito Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). A Prefeitura informou ter aplicado 18,57% da receita de impostos e transferências no setor até o segundo quadrimestre, acima do mínimo constitucional de 15%. Mabel também anunciou a intenção de destinar R$ 500 milhões à área nos próximos dois anos.
“Isso representa cerca de R$ 400 milhões a mais aplicados em melhorias na saúde. Estamos construindo uma nova rede de saúde com 32 novas UBSs e 8 UPAs para atender a população com dignidade”, declarou.
Na Educação, o percentual aplicado chegou a 21,88%, abaixo do mínimo constitucional de 25%. A apuração, contudo, considera o exercício anual, e o município tem até o encerramento de 2026 para atingir o índice. No ano passado, a aplicação estava em 20,06% no segundo quadrimestre e terminou o exercício em 25,83%.

Mabel também anunciou que apresentará aos vereadores um Plano de Mobilidade que prevê a implantação de ônibus metronizados. Segundo o prefeito, o modelo pode oferecer deslocamentos mais rápidos e eficientes do que o metrô em trajetos de até 14 quilômetros.
Durante a apresentação, o prefeito cobrou ainda o andamento do projeto do Fundo de Investimento Imobiliário, que está paralisado por recomendação do Ministério Público após uma representação apresentada pela vereadora Aava Santiago (PSB).
Vereadores divergem sobre resultados da administração
As manifestações dos parlamentares durante a prestação de contas foram marcadas por elogios aos investimentos anunciados e críticas à condução da prefeitura. Integrantes da base governista destacaram medidas nas áreas de saúde, educação e infraestrutura, enquanto vereadores de oposição questionaram a situação dos serviços públicos e a relação do Executivo com o Legislativo.
Thialu Guiotti (Avante) elogiou a abertura de vagas na Educação e as melhorias na rede de saúde. O vereador agradeceu a Mabel pela oferta de mais de 10 mil vagas para crianças e pela retomada de serviços em unidades municipais. Também citou a licitação da UPA do Jardim Guanabara, que, segundo ele, estava fechada havia quase sete anos.
O parlamentar ainda destacou os investimentos em infraestrutura e a reorganização das contas públicas. “O prefeito tem economizado, trazido recursos de volta para Goiânia. Os índices investidos na saúde e educação tem sido muito maiores do que a lei determina”, afirmou.
Denício Trindade (União) também elogiou a previsão de R$ 1 bilhão em investimentos, a reorganização fiscal e as ações nas áreas de saúde e educação. O vereador mencionou ainda as medidas de recuperação da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e a atuação da gestão diante de problemas históricos da capital.

Anselmo Pereira (MDB) destacou a abertura de vagas nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), a recuperação asfáltica, as melhorias na iluminação e na limpeza urbana. Henrique Alves (MDB), por sua vez, avaliou que os resultados financeiros já podem ser percebidos na cidade: “A gente já consegue enxergar esse resultado na rua, com obras e a cidade funcionando melhor”, declarou.
Em sentido contrário, Sanches da Federal (PP) afirmou que a prestação de contas não deve se limitar à apresentação de números e questionou a efetividade dos resultados para a população.
“O sentimento do cidadão goianiense é claro. Você vê na rua que a cidade não está sendo bem gerida, está abandonada e nosso papel aqui é fiscalizar as contas públicas e também exigir que os benefícios cheguem de fato às pessoas mais carentes, que é quem mais precisa do poder público”, afirmou.
Major Vitor Hugo (PL), eleito deputado federal nas eleições de 4 de outubro, também criticou a administração. Ele apontou insatisfação de moradores, dificuldades na relação com os vereadores e vetos a projetos aprovados pela Câmara. O parlamentar ainda questionou a maneira como o prefeito se relaciona com a população.
Aava Santiago e Edward Madureira (PT) também ocuparam a tribuna para criticar a condução da prestação de contas e a relação do Executivo com os parlamentares. Aava afirmou que Mabel a atacou pessoalmente durante sua exposição e contestou as declarações do prefeito sobre a Taxa de Limpeza Pública, conhecida como Taxa do Lixo.
Mabel defende nova fórmula para a Taxa do Lixo
A Taxa de Limpeza Pública voltou ao centro do debate durante a prestação de contas, após o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) considerar inconstitucional, em 14 de outubro, a cobrança nos moldes então adotados. Mabel defendeu a criação de uma alternativa jurídica para manter o custeio do serviço, com critérios que levem em conta a capacidade de pagamento dos contribuintes.
“A taxa do lixo foi criada antes da minha gestão, ela vem do Governo Federal, mas, quando assumi, trabalhamos para reduzir o peso dessa cobrança, com subsídios e isenção para mais de 201 mil casas de baixa renda”, afirmou o prefeito.
Mabel disse que o modelo adotado pela prefeitura previa subsídios de até 75% do custo do serviço e isenções para famílias de baixa renda. Segundo ele, a administração trabalha com a Procuradoria do Município para encontrar uma solução juridicamente segura e manter a proteção às famílias mais vulneráveis.
“Não considero justo que uma família de baixa renda tenha que arcar com um valor desproporcional à sua realidade. Isso é um absurdo!”, declarou. O prefeito acrescentou que o serviço de coleta tem custos que precisam ser financiados, mas que a divisão da conta deve ser discutida com os vereadores.

Aava Santiago (PSB) contestou a interpretação apresentada por Mabel e sustentou que a cobrança foi suspensa em razão da decisão judicial. A vereadora afirmou que a discussão envolve os critérios utilizados para definir os valores, a falta de detalhamento dos cálculos e a ausência de mecanismos que, segundo ela, permitam avaliar com precisão o custo do serviço.
“Ao contrário do que ele disse e que alguns parlamentares governistas dizem, a taxa do lixo acabou. E não fui eu que acabei com a taxa, foi o Tribunal de Justiça de Goiás”, declarou.
A parlamentar também questionou a ausência de balanças para pesagem dos resíduos recolhidos e defendeu que a Prefeitura encaminhe à Câmara uma proposta com informações mais detalhadas sobre a arrecadação e os custos da limpeza pública.
“O Tribunal de Justiça não proibiu o prefeito de Goiânia de dar isenções, não proibiu de dar descontos, disse que se a lei chegar na Câmara com esses descontos, eles poderão ser dados. O que acontece é que nada disso está no texto”, afirmou Aava, ao questionar a metodologia utilizada para calcular a cobrança.
Mabel, por sua vez, disse que a discussão judicial envolve critérios de cobrança, como valores mínimos e máximos e a concessão de subsídios, e não a obrigação de custear o serviço de limpeza pública. O prefeito sinalizou que pretende dialogar com os vereadores para construir uma solução legal e transparente para a taxa.

