O senador e candidato à reeleição Vanderlan Cardoso (PSD) defendeu a utilização de US$ 100 bilhões das reservas internacionais do Brasil — cerca de R$ 515 bilhões — para ampliar o crédito e o suporte financeiro aos produtores rurais. A ideia do parlamentar é retirar cerca de um quarto do montante mantido pelo Banco Central para injetar diretamente no setor produtivo.
“Nós temos quase US$ 400 bilhões de reserva. E reserva, pelo que entendo, é para os dias maus, os dias ruins. E os dias ruins para o agro chegaram. Minha proposta é pegar US$ 100 bilhões dessas reservas e levar para o setor”, afirmou o senador em entrevista à TV Anhanguera.
Segundo Vanderlan Cardoso, a injeção de capital traria retorno rápido aos cofres públicos por meio do aquecimento da economia.
“O setor vai devolver isso em dois, três anos. Hoje, quem está necessitando mais é o agro. Agora, o agro é para ontem, inclusive no nosso estado”, argumenta.
A proposta surge em meio ao aumento de inadimplência e crises no campo. Dados da Serasa Experian apontam 474 pedidos de recuperação judicial no agronegócio no primeiro trimestre de 2026, uma alta de 21,9% em comparação ao mesmo período de 2025.
Em Goiás, o tema ganha relevância direta pela força do setor produtivo local. Projeções do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) indicam que o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) goiano deve atingir R$ 119,56 bilhões em 2026, mantendo o estado na quinta posição do ranking nacional.
O pleito por mais recursos ocorre em paralelo ao volume recorde já anunciado pelo Governo Federal para o Plano Safra 2026/2027, que destinou R$ 610,3 bilhões ao setor rural. Do total, R$ 525,1 bilhões foram voltados ao agronegócio empresarial para custeio, comercialização e modernização, enquanto R$ 85,2 bilhões foram direcionados à agricultura familiar. No ciclo anterior (2025/2026), o orçamento global havia sido de R$ 605,2 bilhões.
Para o senador, contudo, o fortalecimento das linhas tradicionais precisa ser complementado por medidas extraordinárias diante do cenário econômico atual.
“Não podemos falar em desenvolvimento do Brasil e de Goiás sem falar no fortalecimento do agronegócio. Por isso, entendemos que é viável a destinação de US$ 100 bi da reserva para o setor, que gera riquezas e empregos em todo o país”, finalizou.

